O Paraná plantou nesta safra, que está sendo colhida, 501 mil hectares de feijão. A expectativa era de produzir 515 mil toneladas, mas as chuvas de agosto a fim de outubro atrapalharam o plantio, causando perda de área e produção, que deverá ficar entre 348 mil e 386 mil toneladas.
Confirmando-se essa perda de 27% da produção, o prejuízo, ao preço médio, no Estado (para feijão preto e a cores, como o carioca) de R$43,00 a saca, na semana passada, já se elevava a R$106.500,00. No entanto, o preço voltou a subir, chegando a R$53,74 a saca no final da semana, segundo a engenheira-agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. A seca que prevaleceu em novembro, com pancadas de chuva ocasionais em algumas regiões, quebrou mais um pouco a produtividade, calcula Demarchi. Porém, os novos prejuízos ainda estão sendo verificados no campo.
Colheita e custoAté sexta-feira passada tinham sido colhidos, no Paraná, 26% do feijão (preto e cores), e a operação de colheita estava no auge. Neste ano está ocorrendo um fenômeno: embora na entrada da safra, o preço sobe, porque explica Demarchi, existe uma indefinição a respeito do resultado da produção.
Dorico da SilvaEstímuloPreço bom em plena colheita deve estimular plantio no Vale do IvaíO custo médio variável (insumos em geral), estimado para uma lavoura que produz 17 sacas (1020 kg) por hectare, é de R$22,77, mas acrescentando o custo fixo (remuneração da terra, depreciação do capital), chega-se à média final de R$33,36 a saca. Demarchi observa que quem está colhendo 8 sacas, por exemplo, está perdendo dinheiro. E alguns colheram até 4 sacas por hectare.
‘‘A produtividade média não está boa e o custo é muito alto’’, observa a agrônoma do Deral, acrescentando que muitos produtores esperavam colher 40-50 sacas e estão colhendo 20. Depois desta colheita (safra das águas) será plantada, já partir de 15 deste mês, a safrinha, ou ‘‘da seca’’, mas o desempenho dessa vai depender do clima e ainda não dá para fazer uma previsão, a não ser que a área deve aumentar.
Principais produtoresAs regiões que mais cultivam feijão, no Paraná, são as de Curitiba (70 mil ha nesta safra), Guarapuava (58 mil ha), Irati (40 mil ha), Ivaiporã (78 mil ha), Jacarezinho (28 mil ha), Pato Branco (15 mil ha), Ponta Grossa (67 mil ha) e União da Vitória (30 mil ha).
Apesar de possuir a maior área plantada do Estado, a região de Ivaiporã não é a maior produtora. Esta posição é da região de Ponta Grossa, devido a melhor nível tecnológico, explica a engenheira-agrônoma do Deral.
A safra de 1998, ela acrescenta, foi a maior dos últimos anos e os preços são bons, embora os custos também sejam altos.
Preço estimula no Vale do IvaíNo início desta safra o excesso de chuva na floração das lavouras prejudicou o feijão no Vale do Ivaí, que tem a maior área plantada no Estado. Agora, há um mês falta chuva e aumenta a quebra de produtividade, mas o preço médio está compensando e a área deverá dobrar na safra ‘‘da seca’’. A previsão é do técnico agrícola Mário Iurino, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento em São João do Ivaí.
Os produtores de feijão do Vale do Ivaí plantaram 78500 hectares na região e até o começo desta semana tinham colhido cerca de 85% das lavouras, com produtividade média de 870 quilogramas (kg) por hectare (ha), o que dá em torno de 14,5 sacas/ha. A previsão inicial era de 1500 kg/ha, porém os fenômenos climáticos (chuva na floração, seca na fase de colheita), além de diminuirem a produtividade, reduziram a área colhida em 8250 ha.
Embora tenham perdido em volume de produção, os lavradores que conseguiram colher mesmo 870 sacas/ha têm conseguido bom preço, porque, observa Mário Iurino, ‘‘está faltando feijão no País’’. Por isso, o preço da variedade ‘‘carioca’’, a mais consumida, está cotado, no Vale do Ivaí, a R$50,00 a R$55,00 a saca, e o preto a R$40-47,00 a saca, enquanto o custo na região é calculado em 9,7 sacas/ha.
Como a produtividade média regional é de 14,5 sacas/ha, o retorno por hectare pode ser considerado bom. Por isso, Mário Iurino prevê que a próxima safra ‘‘da seca’’ deverá ter área dobrada em relação ao plantio da seca do começo deste ano, quando foram semeados 14 mil ha.
Para decidir quanto plantar, diz Iurino, o agricultor ‘‘fica de olho no preço’’ do produto. Ele acredita que, se aqueles preços se mantiverem, na ‘‘seca’’ a região plantará 30 mil hectares de feijão. No Vale do Ivaí o preto ocupa apenas cerca de 5% da área total de feijão. Os maiores produtores regionais são os municípios de Ivaiporã e Cândido de Abreu.Colheita manual em Cândido de Abreu, um dos maiores produtores do Estado
Jota Oliveira

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