Pecuaristas do Noroeste do Paraná começam a despertar para a produção de novilho precoce, em busca da melhoria no rendimento do rebanho. Durante a semana, a Secretaria de Agricultura e a Emater ‘‘trabalharam’’ o sistema de criação com os proprietários de grandes áreas de pastagens.
Segundo o veterinário José Antonio Azevedo Osório, da Emater de Loanda (PR), o interesse dos criadores é ‘‘muito’’ grande. ‘‘Pelo ganho na rotatividade do rebanho que o pecuarista vai ter’’, explica. Os animais ficam em média metade do período ‘‘normal’’ na propriedade.
Mudanças no manejo A primeira vantagem, segundo Osório, é que a adoção do sistema não requer grandes investimentos. O pecuarista começa a mudar a forma de criar com o próprio rebanho disponível, que na região noroeste tem o sangue anelorado.
Ampliando a produção de alimentos para o gado e melhorando o plantel, o restante do sistema exige apenas mudanças no manejo. O rebanho deve ser aos poucos substituído por animais com maior poder de ganho de peso. ‘‘Ao mesmo tempo, o criador vai mudando a forma de manejo desde o cruzamento até o desmame e nutrição dos animais.’’
Rápido rendimento A diferença em favor do novilho precoce é muito grande, explica Osório. Ele compara que enquanto um animal criado de forma tradicional, apenas a pasto, demora de três a quatro anos para chegar ao ponto de abate, o precoce estará ‘‘terminado’’ em dois anos no máximo. ‘‘Com o mesmo rendimento de peso e a vantagem de uma carne e o couro de melhor qualidade’’, explica.
O ganho financeiro compensa pela rotatividade, mas a Secretaria de Agricultura e a Emater querem mais vantagens para os criadores do novilho precoce. Osório explica que hoje os frigoríficos e até o consumidor final concordam em pagar mais por um produto de melhor qualidade. Só que o mercado exige abastecimento.
Técnicos do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso do Sul, onde existe um trabalho em favor da diferenciação do valor da carne do novilho precoce, estiveram na região para falar aos criadores. ‘‘Se conseguirmos organizar e ampliar a produção, também teremos preços melhores’’, prevê o veterinário de Loanda.
Trabalho em cadeia Técnicos acreditam que com a união dos criadores, não importando o tamanho das propriedades e do rebanho, será possível atender os mercados regionais. Ainda, segundo os técnicos, não existe parâmetro para medir o potencial de crescimento para a carne especial, mas é preciso apostar na melhoria da renda do pecuarista.
Além de criadores, a Secretaria de Agricultura e Emater levou representantes de supermercados, frigoríficos e atacadistas para o debate. O Sebrae assumiu o compromisso de intermediar os negócios entre as partes envolvidas.
‘‘Somente com a organização dos pecuaristas os supermercados vão valorizar o produto, que é diferenciado’’, afirma o zootecnista Luiz Fernando Brondani, responsável pelo programa ‘‘Pecuária de Curta Duração’’, do Governo de Estado. Brondani revela que em todo o Paraná o programa já está implantado em 128 propriedades, que recebem toda a assistência. A meta, no entanto, é ampliar o sistema de novilho precoce a todas as regiões com potencial de pecuária. A Emater, segundo Brondani, tem 52 técnicos treinados para atender os pecuaristas. ‘‘O criador está animado em participar, desde que tenha vantagens nos preços. E vamos buscar essa vantagem junto ao mercado’’, promete.

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