Procura está superando a oferta
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sábado, 03 de fevereiro de 2001
Vânia Casado de Curitiba 
O mercado de flores que está funcionando num galpão da Central de Abastecimento (Ceasa) do Pinheirinho, em Curitiba, desde outubro do ano passado poderá ser ampliado. A iniciativa visa acomodar mais produtores de flores que estão satisfeitos com a comercialização ocorrida naquele local. O Paraná ainda produz apenas 60% do que consome e a demanda de flores e plantas ornamentais está superando a oferta, informou Gilberto Martins Bello, engenheiro agrônomo da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.
O mercado de flores funciona às terças e sextas-feiras das 6 às 12 horas. Até as 9 horas, o atendimento é feito somente no atacado. A partir desse horário os produtores vendem no varejo também com um preço 20% acima, em média, em relação às vendas no atacado. Além das floriculturas locais, o mercado já está atendendo pedidos de estabelecimentos de Canoinhas, São Bento do Sul, em Santa Catarina, e de Ponta Grossa.
AlternativaA criação do mercado de flores na Ceasa surgiu como um importante canal de comercialização para os produtores da Região Metropolitana de Curitiba, Guaratuba e Guarapuava, onde existem pólos de produção de flores e plantas ornamentais, disse Mario Luiz Braciak, presidente da Associação de Produtores de Flores e Plantas Ornamentais do Paraná (Mercoflor). Essa associação representa 50 produtores da RMC.
Antes disso, os produtores corriam atrás de um canal de comercialização. Agora, já estão planejando a produção conforme a demanda dos clientes que frequentam a Ceasa. Braciak informou que até o final do primeiro semestre, os produtores da RMC vão estar produzindo crisântemos, mosquitinho e lisiantos de vaso e corte para atender à demanda por estas flores.
Com isso, os produtores vão ocupando aos poucos um nicho de mercado que ainda é dominado pelos produtores paulistas, que abastecem boa parte do mercado paranaense, disse Braciak. Os produtores da RMC vinham produzindo mais flores para jardim e plantas ornamentais. Só em plantas de forração para jardim, os produtores chegam a produzir cerca de 10 mil caixas de mudas de variedades por mês. São produzidas desde amor-perfeito, boca-de-leão, tagetes e prímula. Essa produção é suficiente para atender o mercado de Curitiba.
Outras opções Agora os produtores querem partir para a produção de flores de vaso e corte porque estão percebendo que o mercado é atrativo. A produção vai ser planejada de acordo com o clima da região, disse Braciak. Uma flor bastante consumida, que os produtores estão resistindo em plantar é a rosa. Trata-se de um mercado extremamente competitivo e o investimento é muito alto. Para se ganhar dinheiro com a rosa, é preciso produzir muito para abastecer as floriculturas nos períodos de pico como Dia das Mães, dos Namorados, final de ano, Finados. Fora do pico, o preço da rosa cai muito e se o produtor não ganhar no volume de produção, acaba perdendo dinheiro, explicou.
Além disso o custo de implantação da cultura é muito alto. O produtor precisaria de pelo menos 10 mil metros quadrados de estufa, cujo custo de instalação varia de R$ 14,00 a R$ 50,00 o metro quadrado. Só um médio produtor tem condições de entrar nesse mercado que ainda é dominado por São Paulo.
Enquanto isso, os produtores da RMC estão ampliando a produção de ciclâmen, flor que se adapta ao clima frio da região e que caiu no gosto do consumidor. No próximo verão, os produtores de Curitiba pretendem estar vendendo essa flor em São Paulo.
CrescimentoA produção paranaense de flores vem crescendo rapidamente com o surgimento de pólos de criação. Na região central do Estado, a Cooperativa Agrária está apoiando o cultivo de flores como opção aos produtores da Cooperativa Mista Entre Rios. Essa opção vem sendo exercida pelas mulheres dos agricultores e a rentabilidade em muitas vezes supera a da produção de grãos. Os produtores dessa região vêm se especializando na produção de flores de vaso e corte como crisântemo, rosas, gérbera, cravo, begônia, lírio, gipsofila, violeta, limonium, primula e plantas de forração, entre outras.
Segundo Braciak, apesar da carência das estatísticas do setor dá para afirmar que o setor está crescendo a uma média de 20% ao ano no Paraná, apesar das dificuldades de escoamento da produção e falta de regularidade na entrega das flores para a floricultura. O produtor defende melhor organização do setor como forma de desenvolvimento e geração de empregos. Segundo ele, cada mil metros quadrados de estufas com flores geram cinco empregos diretos na propriedade rural.
Braciak destacou, no entanto, que o cultivo de flores exige dedicação, sacrifício e sensibilidade. Às vezes é melhor que o produtor de flores que queira iniciar na atividade não tenha feito nada ligado com a produção rural antes disso. A produção de flores requer um cuidado excessivo com a formação dos canteiros e o desenvolvimento das plantas, acrescentou.
O grupo de Guarapuava fundou a marca comercial Agraflores e a área de cultivo protegido já atinge 40 mil metros quadrados, sendo 7 mil metros quadrados só com o cultivo de rosas. O Litoral apresenta-se como outro pólo de produção com o cultivo de espécies tropicais e exóticas. Em Guaratuba, existe um grupo de produtores que produzem plantas de forração como tagetes, amor-perfeito, begônia e mini-girassol. Existem também o cultivo de flores de corte com a comercialização do 2,5 mil dúzias por mês de anthurium, dracena e estrelitzia.
Em Londrina, os produtores criaram a Associação dos Produtores de Flores e Plantas Ornamentais do Norte do Paraná (Aflopar), que já tem 40 produtores filiados. Eles cultivam principalmente crisântemos de vaso, mini rosa, gérbera, girassol, violeta e boca-de-leão e abastecem as floriculturas da região.


