A empresa deve começar a operar oficialmente em 2020 com o processamento de mil quilos por hora (total de 40 toneladas por semana)
A empresa deve começar a operar oficialmente em 2020 com o processamento de mil quilos por hora (total de 40 toneladas por semana) | Foto: Marcos Zanutto

Na pacata cidade de Santo Antônio do Paraíso - localizada no Norte Pioneiro - a agricultura familiar segue os caminhos mais tradicionais do Paraná: produção predominante de grãos, com foco na soja, milho safrinha e trigo. Mas o pequeno município de dois mil habitantes - que no passado chegou a ser um polo na produção de alho - ajusta a bússola junto com toda a região para novas direções do agronegócio com a chegada de uma indústria de processamento de frutas.

O empreendimento chamado Villa Puree – O Essencial da Fruta, de um grupo de empresários de Ribeirão Preto (SP), promete movimentar a região e vai precisar de parceiros no campo - grande maioria de pequenos produtores - para produzir essas frutas, matéria-prima que irá abastecer a indústria e, assim, comercializar um produto de maior valor agregado. O purê, que não utilizará aditivos nem adoçantes, será envasado assepticamente e comercializado para outras empresas (B2B) em temperatura ambiente.

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. | Foto: Folha Arte

A reportagem da FOLHA foi conhecer o empreendimento e conversar com produtores, que estão animados com as novas perspectivas das futuras parcerias. A expectativa é que os primeiros testes já produzindo o purê aconteçam agora em dezembro. As frutas selecionadas no trabalho são abacaxi, pitaya de polpa vermelha, goiaba, maracujá, pêssego de polpa amarela, morango, manga e ameixa.

OPERAÇÃO

Mirela Freitas Alves é uma das sócias da Villa Puree e explica que a indústria deve começar a operar oficialmente em janeiro de 2020, após o ajuste de setup das máquinas em relação à produção, rendimento, tamanho das frutas e outras características. A linha multifrutas é de origem italiana e foi adquirida de uma empresa parceira, localizada em Pouso Alegre (MG).

Imagem ilustrativa da imagem Processamento de frutas deve transformar dinâmica produtiva do Norte Pioneiro
| Foto: iStock

“Vamos começar com o processamento de mil quilos por hora (total de 40 toneladas por semana), mas já existe uma expectativa de uma segunda linha, em mais ou menos dois ou três anos, para adquirir novo maquinário com capacidade de processamento de cinco mil quilos por hora (200 toneladas por semana). Por isso, esse é o momento de desenvolver e incentivar a produção de frutas na região, para quando chegarmos neste segundo momento, as culturas estarem no ápice da produção", adianta Alves.

A área da indústria é de 2,48 mil metros quadrados, sendo 1,8 mil metros quadrados construídos. Além desse espaço, a Villa Puree conta com uma produção própria, de aproximadamente 67,7 hectares. Nesta área, já estão sendo produzidas cinco variedades de frutas (ameixa, maracujá, goiaba, pêssego e pitaya) que devem totalizar 1,38 mil toneladas em plena safra. A ideia é que algumas frutas já entrem na primeira produção do purê.

“Sabíamos que essa produção, por conta da sazonalidade e volume, não seria suficiente para abastecer integralmente a indústria, assim, surgiu a ideia de firmarmos parcerias com os produtores da região num raio de 100 a 150 quilômetros (da indústria). A maioria dos produtores com quem estamos firmando contrato está iniciando na fruticultura”, explica a empresária.

Empresa deve comprar no mínimo 80% da produção

Na área de  produção própria, de aproximadamente 67,7 hectares, já estão sendo produzidas cinco variedades de frutas
Na área de produção própria, de aproximadamente 67,7 hectares, já estão sendo produzidas cinco variedades de frutas | Foto: Marcos Zanutto

O processo de parceria com os produtores rurais está em fase inicial. Entretanto, uma parceria já foi firmada com o Sicredi no que diz respeito à captação de recursos para os produtores que precisarem de incentivos para iniciar os trabalhos. A ideia é que ambas as partes tenham segurança total.

“Vamos dar toda a capacitação técnica aos produtores para que possam atender aos pré-requisitos da indústria, que preza pela qualidade da sua matéria-prima. Dentre os cuidados a serem tomados, estão o preparo do solo (com análises micro e macrobiológicas), atenção ao plantio, ponto de colheita, volume de produção, entre outros aspectos de conformidade que deverão ser atendidos. Em contrapartida, a empresa compromete-se a comprar no mínimo 80% da produção, caso eles queiram vender os outros 20% de outra forma", afirma Alves.

Para Mirela, um dos maiores desafios é justamente trazer confiança aos produtores, que ainda estão muito enraizados na cultura dos grãos da região. “Eles querem saber tudo, principalmente em relação ao pagamento. Quando comparamos os valores com os ganhos da soja, ficaram mais tranquilos. Além disso, vamos sempre seguir a cotação da fruta para processamento, que é bem diferente da fruta in natura destinada à mesa.”

EXPECTATIVA

Na indústria, a expectativa é que inicialmente 12 funcionários trabalhem diretamente na linha de produção, sendo que o trabalho será acompanhado também pela equipe de Ribeirão Preto. O purê será envasado em bombonas de 100 a 200 litros, sendo matéria-prima para outros produtos alimentícios e terá validade de um ano. O foco é atender inicialmente empresas do Norte do Paraná, São Paulo e Sul de Minas Gerais.

“Outro desafio é o desenvolvimento do próprio mercado do purê integral. Nosso produto tem como diferencial a busca pela segurança, pela qualidade do alimento que vai desde o plantio da fruta ao produto final, sem utilização de quaisquer aditivos. Ainda que estejamos tratando de matéria-prima, como é o caso do nosso purê, este é um momento em que muito se fala da importância da saúde e como os alimentos de uma forma geral precisam seguir essa linha.”

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