Mário CesarCaminhões esperam para descarregar nas portas da cooperativaA produção de grãos no Paraná cresceu muito nos últimos 20 anos. As exportações de soja aumentam a cada ano, e no entanto a malha viária por onde escoa a produção do Paraná em direção ao Porto de Paranaguá é a mesma da década de 60.
Pelas estradas do Paraná circulam, neste período, não só os caminhões que carregam a produção paranaense, mas também a produção de soja do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraguai. As perdas que ocorrem no transporte da safra podem ser observadas pelos grãos que ficam na estrada, e no caso do milho, o prejuízo fica por conta da perda de qualidade dos grãos que ficam nas filas de espera para desembarcar.
Segundo o agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado (Seab), Renato Ivan Correa, 25% (aproximadamente 2,2 milhões de toneladas) da safra paranaense de milho, colhidos até agora, estão em condições altas de umidade (22% a 24%), provocada pelas chuvas. ‘‘Se este milho úmido ficar mais tempo do que deve em filas para descarregar, vai perder qualidade e prejudicar o produtor, que terá descontos no preço de seu produto’’, explica Renato.
A soja está com 12% da produção colhida (quase 800 mil toneladas), a maior parte na Região Oeste. No restante do Estado, a colheita está um pouco atrasada. Mas o produtor está com pressa de embarcar a soja no Porto de Paranaguá, para aproveitar as altas cotações de preços do produto, e já começam as filas nas primeiras semanas de março. Em média 1400 caminhões chegam diariamente ao porto. A maioria precisa aguardar um dia para descarregar.
ArmazenagemAlém do transporte, o armazenamento é outra etapa pós-colheita que preocupa produtores e autoridades governamentais. A capacidade de armazenagem no Paraná é uma das melhores do País. O Estado tem uma capacidade estática de 18, 2 milhões de toneladas de grãos, para uma produção de grãos estimada em 16,5 milhões de toneladas. Deste volume, 5,5 milhões de toneladas para ensacados e 9,3 milhões de toneladas a granel.
Warren NabucoA capacidade de armazenamento do Paraná é suficiente para atender a demanda
Segundo Paulo Cesar de Arruda Lopes, da área de fiscalização da Conab no Paraná, os armazéns credenciados pelo Governo estão em boas condições para receber a safra. As exigências de equipamentos que controlam a aeração e a termometria estão sendo cumpridas.
Paulo Cesar informa que não deverá haver problemas na área de armazenamento para esta safra. Com exceção de algums casos localizados, como na região de Irati, onde os produtores podem não ter onde colocar sua produção por falta de armazéns credenciados. Segundo Paulo César, os maiores problemas de perdas na armazenagem acontem no Centro-Oeste do País, nos Estados de fronteira agrícola.
Entrega nas cooperativasNa área de ação da Cooperativa Agricola Vale do Tibagi (Valcoop), compreendida pelos municípios de São Jerônimo da Serra, Nova Santa Bárbara, Santa Cecília do Pavão, Assaí, Ibiporã, Sertanópolis, Londrina e Tamarana, foram plantados 90 mil ha de soja, 30 mil ha de milho e 100 ha de algodão.
Até o início da semana, a cooperativa tinha recebido 60% do milho colhido, 0,5% da soja e 0,5% do algodão. Segundo o agronômo Jefferson Ricci, do Departamento Técnico, as produtividades alcançadas foram de 41 sacas/ha de soja, 100 sacas/ha de milho e 150 arrobas/ha de algodão. ‘‘Houve prejuízo na qualidade do milho colhido na primeira quinzena de fevereiro, devido ao excesso de chuvas’’, informou Ricci.
A Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo) recebera até terça-feira 8% do total previsto da soja, 34% do milho e 1% do algodão. Segundo a cooperativa, a produtividade média da soja tem ficado em 2.650 quilos por hectare, enquanto o milho chega a 3.760 quilos por hectare, e o algodão 1.900 quilos por hectare. A Coamo ainda não tem levantamento completo das perspectivas de plantio para o milho-safrinha. Os dados estão em fase final de levantamentos nas 38 unidades da cooperativa no Paraná e em Santa Catarina. Só depois disso é que eles serão totalizados. A expectativa, no entanto, é para que a área de plantio aumente em até 70%.
Já a Cooperativa Agrícola de Astorga recebeu 40% do milho e apenas 2% a 3% da soja. Na região foram cultivados 17 mil ha de soja e 5 mil ha de milho. Segundo o agrônomo Jean Carlo Bassan, a colheita do milho foi prejudicada e interrompida várias vezes neste último mês, por causa da chuva.
Safra de invernoA área de trigo do próximo inverno ainda está indefinida, segundo Jefferson Ricci, da Valcoop. O custo de produção, aliado ao risco, desvia os produtores para o milho-safrinha, e esta tendência pode crescer se não houver liberação de recursos por parte dos bancos.
Jefferson analisa que teoricamente a cultura do trigo não pode aumentar em relação ao ano passado, pois não há semente suficiente. ‘‘A Valcoop produziu 30 mil sacas de sementes, e acreditamos ser suficientes para atender nosso cooperado. Trabalhamos com uma expectativa de redução de plantio em 30% em relação ao ano passado’’, comentou Jefferson.

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