Problema é maior no gado europeu
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Cláudia Barberato 
A incidência de carrapatos e bernes nos rebanhos bovinos, neste período, é um alerta para o criador. Umidade e alta temperatura, naturais da época (início da primavera) são favoráveis ao aparecimento do parasita. O carrapato e outros parasitas são capazes de provocar uma debilidade tão grande nos animais que pode levar à morte.
O descuido num momento de alta infestação pode custar caro ao produtor de carne ou leite, pois há queda de produção nos dois casos. Fica mais barato fazer o controle preventivo. O alerta é do pesquisador da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), Alberto Gomes.
Mesmo que os maiores prejuízos estejam nas regiões onde se criam raças taurinas (gado europeu) e seus cruzamentos, deve ser também considerado em locais de predominância do gado zebuíno, recomenda o pesquisador. Segundo Gomes, em situações especiais de manejo que levam os animais ao estresse (altas concentrações por hectare ou no desmame precoce, entre outras), a presença do carrapato é importante devido à transmissão da tristeza parasitária bovina.
Muitos prejuízosAlém de queda na produção e doenças, há prejuízos no couro dos animais. Ao fixar-se, o carrapato lesiona e provoca cicatrizes irreversíveis. A presença favorece infestações por miíases cutâneas (bicheiras). Como o produtor não é remunerado diretamente pela qualidade do couro, as lesões são identificadas e os prejuízos quantificados somente nas indústrias que têm o couro como matéria-prima.
Existem também os gastos com a mão-de-obra necessária para o controle, e as demais despesas com construções, compra de aspersores ou manutenção de banheiros e aquisição de carrapaticidas. Na Austrália os prejuízos anuais na cadeia produtiva devido aos carrapatos são da ordem de US$42 milhões; para o México, as estimativas são de US$3,05 bilhões anualmente, e no Brasil, o cálculo chega a US$1 bilhão/ano.
Ciclo e controleO carrapato apresenta a vida livre e a vida parasitária. Na fase livre, está no solo e pode (ou não) infectar os animais. Na parasitária está no corpo dos animais, num ciclo de 23 dias em média. No pasto o clima, vegetação, densidade animal, raça, e outros fatores influenciam na sobrevivência do parasita.
Devido ao pouco conhecimento, em especial, de sua biologia e dos componentes do seu ecossistema, o combate tem sido feito, na maioria das vezes, de forma inadequada, restringindo-se quase exclusivamente a sua fase parasitária, garante o pesquisador da Embrapa.
O controle do carrapato teve evolução na Austrália e nos países da América Latina, onde se desenvolvem atividades mais intensas de pesquisa. Mesmo assim, não há fórmula mágica capaz de resolver o problema. Sabe-se que uma associação de métodos alternativos, de acordo com cada situação, permite obter bons resultados, reduzir o uso e prolongar a vida útil dos carrapaticidas.
O combate ao carrapato, afirma Gomes, é necessário tanto em áreas de alta infestação durante todo o ano como em áreas com baixa infestação, em algumas épocas do ano. Nas áreas de altas infestações, os danos diretos e indiretos levam a grandes prejuízos. Nas áreas com baixa infestação e restrita a algumas épocas do ano, os prejuízos causados pela tristeza parasitária assumem grandes proporções.
O pesquisador da Embrapa garante que existem duas alternativas de controle. O controle do carrapato fora do animal (no pasto) pode ser feito com a rotação de pastagens, queima, introdução de plantas com poder de repelência e ação letal ao carrapato; alteração de microclima, implantação de lavoura, uso de agentes biológicos, entre outros.
Na rotação de pastagens é recomendado retirar os animais da área até que todas ou pelo menos a maioria das larvas sejam eliminadas por causas naturais. No Mato Grosso do Sul, um bom descanso seria em torno de 40 dias na primavera/verão e 60 dias no outono/inverno.
Algumas variedades de forrageiras têm influência na sobrevivência das larvas nas pastagens pela formação de um microambiente favorável; ora repelindo as lavras, ora matando-as, caso do capim-gordura, Andropogon, capim-elefante e Stylosanthes, entre outras.
A implantação de lavoura, apesar de ser usada com o objetivo de recuperar ou renovar pastagens, é uma prática que indiretamente auxilia o controle do carrapato, garante Gomes. A queima e a aplicação de acaricida nas pastagens, segundo ele, hoje são alternativas pouco recomendáveis por causarem danos ao ambiente e, na maioria das vezes, serem antieconômicas.
Gomes afirma que o controle do carrapato no animal pode ser feito por meio deferomônios associados a substâncias tóxicas, machos e fêmeas estéreis, mecanismos genéticos, raças resistentes, vacinas e uso de carrapaticidas.
Dentre as formas de combate, exceto as raças resistentes, vacinas e uso de acaricidas, as demais estão em fase de experimentação ou validação e ainda não se constituem em alternativas viáveis para o controle do carrapato,explica.
Melhor opção O carrapaticida, afirma o pesquisador, é a opção que oferece melhor resultado no combate ao carrapato. A escolha e uso correto, assim como a mudança de produto quando necessário, são importantes para a obter bons resultados. O desenvolvimento de populações de carrapatos resistentes tem ocorrido, historicamente, após algum tempo de uso da maioria dos carrapaticidas lançados no mercado.
Os três mais recentes grupos químicos de produtos contra o carrapato que se econtram disponíveis hoje são: as formamidinas, os piretróides e as avermectinas. Ainda se encontram à venda, bons resultados, produtos de um grupo mais antigo, os organofosforados.
A aplicação dos carrapaticidas se faz por meio de pulverização, imersão, dorsal (pour-on) e injeção (caso das avermectinas). Cada método apresenta vantagens e desvantagens e a escolha depende da região, tipo de criação, manejo, número de animais, custo, entre outros.
As pulverizações manuais, segundo Gomes, são indicadas em pequenos rebanhos, equanto os banheiros de imersão são indicados para maior número de animais. A aplicação utilizando o processo pour-on dependerá do número de animais e do grau de tecnologia da propriedade, além do custo.


