Arquivo FolhaLembrançaCafezal queimado pela geada de 1993, no Norte do ParanáO outono terminará oficialmente às 5h56 de 21 de junho, quando começará o inverno especialmente preocupante deste ano: as condições meteorológicas predominantes até agora têm indicado a probabilidade de temperaturas baixas, acompanhadas de geada.
Segundo análise feita pelo Centro de Ensino e Pesquisa em Agricultura (Cepagri), da Unicamp, a ligeira queda das temperaturas desde março pode causar uma maior perda de calor na superfície ‘‘e facilitar as baixas temperaturas, com probabilidade de geadas’’.
Além desse indicador, da possibilidade de baixas temperaturas, o Cepagri recorda a ciclicidade do clima, que a cada 11 anos é afetado pela atividade solar mínima. Este fenômeno ocorreu, por exemplo, em 1975, quando se formou a pior geada registrada no Paraná, em São Paulo e outros Estados. ‘‘Este ano é de atividade solar mínima’’, observa aquele centro de pesquisa.
CondiçõesNo momento existem as condições básicas para a ocorrência de geadas:céu claro, ausência de ventos devido à presença de um centro de alta pressão; baixa umidade do ar e temperaturas baixas.
Os pesquisadores do Cepagri recordam que as plantas têm diferentes sensibilidades ao frio, e portanto, o ponto letal (quando a planta morre pela ação do frio) varia com a temperatura que atinge a folha: por exemplo, o café morre com temperaturas inferiores a 3,5 graus negativos; o tomate, com 2 graus, e a banana com 5 graus positivos.
Quando a noite é propícia a geadas, o gradiente de queda das temperaturas noturnas das folhas aproxima-se de 1 grau, das cinco horas da tarde às seis horas da manhã. É possível, observando essa variação, saber no curtíissimo prazo de algumas horas se vai gear ou não. Se vai, dá tempo para tomar algumas providências, desde que o agricultor tenha à mão o equipamento ou insumos de que precisará.
O Cepagri ensina como agir quando ocorrem aquelas condições: usando um termômetro comum, meça de hora em hora, a partir das cinco horas da tarde, a variação da temperatura na copa das culturas (ao nível das folhas externas superiores).
Coloque o termômetro, exposto ao céu, a 10 cm das folhas, e comece a observar. Se o termômetro indicar 9 graus às seis da tarde, deverá registrar perto de 3 graus negativos às seis horas da manhã do dia seguinte, com céu limpo e baixo teor de umidade do ar. Essa temperatura danifica os cafeeiros. Se, no começo da observação (seis da tarde), a temperatura estiver em 12 graus, 12 horas depois terá baixado para 0 grau, temperatura que danifica as hortaliças.
A pesquisa recomenda que se acompanhe a variação da temperatura até a meia-noite, quando o observador decidirá o que fazer. O Cepagri diz que o melhor método de proteção direta, ‘‘caso se concretize a queda de 1 grau por hora’’, é a irrigação, seja por aspersão, alagamento ou por irrigador.
Métodos de proteção física, como cobrir as mudas ou plantas com jornal, sacos de papel ou plástico, são também considerados eficientes pelo Cepagri , que ao contrário, acha ineficaz queimar pneus ou fazer fumaça apenas. ‘‘Para a cultura do café - acrescenta -, a manutenção do terreno completamente limpo, nas meias encostas, pode ajudar como defesa preventiva.’’ Porém, adverte: ‘‘Nada se pode fazer após o nascer do sol, pois as plantas são danificadas antes disso, durante a madrugada.’’
Disponibilidade de águaO Cepagri informa que a disponibilidade de água no solo está muito baixa, e por isto não é indicado o plantio de lavouras de outono/inverno como trigo, aveia, batata e outras culturas. E, no começo da semana, não havia perspectivas de ‘‘chuvas adequadas’’.

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