Probabilidade de geadas fortes
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sexta-feira, 16 de maio de 1997
Jota Oliveira 
Arquivo FolhaLembrançaCafezal queimado pela geada de 1993, no Norte do ParanáO outono terminará oficialmente às 5h56 de 21 de junho, quando começará o inverno especialmente preocupante deste ano: as condições meteorológicas predominantes até agora têm indicado a probabilidade de temperaturas baixas, acompanhadas de geada.
Segundo análise feita pelo Centro de Ensino e Pesquisa em Agricultura (Cepagri), da Unicamp, a ligeira queda das temperaturas desde março pode causar uma maior perda de calor na superfície e facilitar as baixas temperaturas, com probabilidade de geadas.
Além desse indicador, da possibilidade de baixas temperaturas, o Cepagri recorda a ciclicidade do clima, que a cada 11 anos é afetado pela atividade solar mínima. Este fenômeno ocorreu, por exemplo, em 1975, quando se formou a pior geada registrada no Paraná, em São Paulo e outros Estados. Este ano é de atividade solar mínima, observa aquele centro de pesquisa.
CondiçõesNo momento existem as condições básicas para a ocorrência de geadas:céu claro, ausência de ventos devido à presença de um centro de alta pressão; baixa umidade do ar e temperaturas baixas.
Os pesquisadores do Cepagri recordam que as plantas têm diferentes sensibilidades ao frio, e portanto, o ponto letal (quando a planta morre pela ação do frio) varia com a temperatura que atinge a folha: por exemplo, o café morre com temperaturas inferiores a 3,5 graus negativos; o tomate, com 2 graus, e a banana com 5 graus positivos.
Quando a noite é propícia a geadas, o gradiente de queda das temperaturas noturnas das folhas aproxima-se de 1 grau, das cinco horas da tarde às seis horas da manhã. É possível, observando essa variação, saber no curtíissimo prazo de algumas horas se vai gear ou não. Se vai, dá tempo para tomar algumas providências, desde que o agricultor tenha à mão o equipamento ou insumos de que precisará.
O Cepagri ensina como agir quando ocorrem aquelas condições: usando um termômetro comum, meça de hora em hora, a partir das cinco horas da tarde, a variação da temperatura na copa das culturas (ao nível das folhas externas superiores).
Coloque o termômetro, exposto ao céu, a 10 cm das folhas, e comece a observar. Se o termômetro indicar 9 graus às seis da tarde, deverá registrar perto de 3 graus negativos às seis horas da manhã do dia seguinte, com céu limpo e baixo teor de umidade do ar. Essa temperatura danifica os cafeeiros. Se, no começo da observação (seis da tarde), a temperatura estiver em 12 graus, 12 horas depois terá baixado para 0 grau, temperatura que danifica as hortaliças.
A pesquisa recomenda que se acompanhe a variação da temperatura até a meia-noite, quando o observador decidirá o que fazer. O Cepagri diz que o melhor método de proteção direta, caso se concretize a queda de 1 grau por hora, é a irrigação, seja por aspersão, alagamento ou por irrigador.
Métodos de proteção física, como cobrir as mudas ou plantas com jornal, sacos de papel ou plástico, são também considerados eficientes pelo Cepagri , que ao contrário, acha ineficaz queimar pneus ou fazer fumaça apenas. Para a cultura do café - acrescenta -, a manutenção do terreno completamente limpo, nas meias encostas, pode ajudar como defesa preventiva. Porém, adverte: Nada se pode fazer após o nascer do sol, pois as plantas são danificadas antes disso, durante a madrugada.
Disponibilidade de águaO Cepagri informa que a disponibilidade de água no solo está muito baixa, e por isto não é indicado o plantio de lavouras de outono/inverno como trigo, aveia, batata e outras culturas. E, no começo da semana, não havia perspectivas de chuvas adequadas.


