Cristina Côrtes
De Londrina
Novo chefe da Embrapa Soja pretende concentrar a pesquisa nas áreas em expansão no cultivo da leguminosa
O deslocamento do plantio de grãos para novas áreas no Brasil já é um fato, e no caso da soja, só foi viabilizado graças ao desenvolvimento de variedades adaptadas para as regiões de baixa latitude, resultado do trabalho de pesquisa da Embrapa Soja em parceria com outras instituições.
Nomeado recentemente pelo presidente da Embrapa, Alberto Duque Portugal, para chefiar aquele órgão, Caio Vidor, quer priorizar o trabalho de pesquisa para a consolidação da expansão do cultivo da soja na regiões do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Além de fomentar a expansão recente nos Estados da Bahia, Maranhão e parte do Piauí, e com possibilidade de promover o cultivo também em Tocantins, parte do Pará, Sudoeste do Amazonas e Rondônia.
SeleçãoPela primeira vez em 24 anos, a Embrapa Soja será administrada por um profissional que não faz parte do quadro de empregados da instituição. Caio Vidor é professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e apresentou seu nome ao processo de seleção, seguindo as normas internas da empresa. A Comissão de Avaliação analisou o currículo, títulos e propostas de trabalho de três candidatos que disputaram o cargo. O nome de Caio Vidor foi escolhido porque ficou com o maior número de pontos no processo de seleção interna, entre os pesquisadores.
‘‘Vidor foi indicado para assumir a Chefia da Embrapa Soja por sua consistente proposta de trabalho, sua vasta experiência profissional e seu relacionamento próximo com os pesquisadores da área de soja. Além disso, ele já foi ouvidor de outras unidades da Embrapa e, portanto, tem conhecimento amplo da ‘casa’’’, declarou Portugal.
ParceriasNuma primeira etapa, Caio Vidor promoverá reuniões com diferentes grupos de pesquisa, para reavaliação do Plano Diretor da Unidade (PDU), para junto com os pesquisadores definir as metas de trabalho.
Sobre a questão de recursos para a pesquisa, Vidor declarou que os centros têm que buscar cada vez mais aumentar sua capacidade de parceria com a iniciativa privada. ‘‘Deve-se buscar parcerias, sem esquecer a missão da empresa’’, diz Vidor, quando questionado sobre os riscos de desvirtuamento das pesquisas apenas para interesses privados.
Ele cita, como exemplo, a parceria com a Fundação Mato Grosso, que impulsionou a expansão do cultivo de soja, utilizando novas variedades adaptadas, que promoveram o desenvolvimento de toda a região. Vidor destacou ainda que nesta safra 65% da cultivares disponíveis no País foram desenvolvidas pela Embrapa.
O novo chefe da Embrapa Soja é favorável ao desenvolvimento da pesquisa com transgênicos. ‘‘Não podemos barrar o progresso científico, e a transgênese é uma tecnologia que pode trazer inúmeros benefícios para toda a sociedade’’, declara. Ele reconhece os trabalhos desenvolvidos por outros pesquisadores que demonstram não haver ganhos de produtividade, nem de redução de custos para a soja transgênica resistente ao glifosato, mas defende a transgênese como tecnologia do futuro.

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