Não só a produtora Maria do Carmo Sosai, de Nova Esperança, conseguiu, com a força do pensamento e a renda da seda, realizar o sonho de vida. O zootecnista Gustavo Augusto Serpa Rocha abandonou a rotina das aulas de sericicultura do curso de ciências agrárias da Universidade Estadual de Maringá (UEM) para investir na produção artesanal de fios e peças decorativas a base de seda. E está rindo à toa.
  O projeto da fiação O Casulo Feliz nasceu há cerca de 20 anos, quando o então professor da UEM iniciou o plantio da amora para alimentar uma pequena criação de bicho-da-seda. ‘‘Comecei sozinho, com a produção de quatro quilos de casulos por mês’’, conta. Com a matéria-prima em mãos e uma idéia na cabeça, Rocha criou o primeiro fio, apresentado ao dono de uma importante fiação nacional. ‘‘Ele não soube reconhecer o material, mas eu soube reconhecer a oportunidade’’, recorda.
  A partir do fio, Rocha criou jogos americanos, depois cortinas e em seguida tecidos. Dos tecidos surgiram sofás, sapatos e bolsas. ‘‘Criar não é complicado, o difícil é convencer os bons profissionais a usarem o produto’’, diz.
  Hoje, a fiação produz até 5 mil quilos de fio de seda por mês. São 18 modelos e 40 cores. Metade é vendida na forma crua e o restante serve de matéria-prima para cortinas, tapetes e encomendas diversas. ‘‘Nosso público-alvo são arquitetos e designers, além de consumidoras de classe média alta para cima’’, informa Rocha, lembrando com prazer dos primeiros clientes: um grupo de artesãos da feira de artesanato da Praça da República, em São Paulo.
  ‘‘Eles gostaram bastante do fio e demandaram novos projetos e cores. Foi aí que fui procurar aprender sobre tingimento vegetal e criei a maioria dos produtos que ofereço hoje’’, explica o empresário.
  Antenado às novidades mundiais dos mercados de decoração e vestuário, Rocha assume que baseia sua produção em peças já consagradas pelo mercado. ‘‘Procuro trazer sempre algo novo, diferente. Mas não quer dizer que não adapte algumas idéias já existentes’’, admite.
  A última novidade, ressalta, é o tecido conhecido como primitive, que recicla os olhos das crisálidas que se escondiam nos casulos. A concepção do tecido, explica, ele foi buscar nos primórdios da humanidade. ‘‘Imaginamos como o homem primitivo teria descoberto o fio e tentamos imitá-lo. Dai surgiu o tecido que é ao mesmo tempo primitivo e contemporâneo’’, assinala.
  Toda a produção da pequena indústria, completa Rocha, requer paciência e dedicação. ‘‘Não acredito em quantidade e sim em qualidade. Um fio e uma cortina podem demorar até um dia para serem feitos. Apesar de usarmos teares industriais, o trabalho é manual e os artesãos é que fazem a diferença no produto final.’’

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