A realização foi da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Maringá (BCMM), que vendeu apenas dois dos 23 lotes ofertados, mas considerou o resultado excelente, por ter sido ‘‘mais uma forma de divulgar a venda de uva em Bolsa, o que é inédito no Brasil’’, como explica a superintendente da BCMM, Vera Lúcia Periotto. Ela disse que 10 Bolsas de todo o Centro-Sul e Sul do País participaram do leilão, ‘‘o que mostra o interesse do segmento no produto’’.
Segundo Vera Lúcia, o leilão de estréia ofereceu apenas 14 mil quilos de uvas de duas variedades: itália e rubi. ‘‘Foi uma quantidade simbólica, somente para divulgar o sistema. Mas vamos entrar pra valer na comercialização de uva na Bolsa’’, garante a superintendente. Com o início oficial da safra, dia 20 deste mês, a expectativa é a realização de pelo menos dois leilões por semana. Até o final da colheita, em meados de fevereiro, a meta da Bolsa de Maringá é comercializar 8 milhões de quilos - cerca de 40% da safra regional.
Associativismo Para viabilizar a realização de leilões de uva, explica Vera Lúcia, a Emater incentivou o fortalecimento do associativismo entre os produtores. O agrônomo José Odair Mazia, da Emater de Marialva, lembra que existiam no município quatro associações de produtores, que nos últimos anos estavam praticamente desativadas. ‘‘Sem união os produtores, principalmente os pequenos, ficaram nas mãos dos atravessadores e muitos tiveram prejuízos’’. Pelos cálculos de Mazia, no ano passado somente os viticultores de Marialva sofreram um ‘‘calote’’ de R$ 1 milhão.
Para adotar a comercialização em leilões, a Emater e a Bolsa de Maringá fizeram várias reuniões com os produtores. No início, explica Vera Lúcia, os agricultores ficaram um pouco receosos. A previsão inicial era de que a uva alcançaria um preço mais baixo, em torno de R$ 1,50 o quilo, contra os R$ 2,00 máximos pagos atualmente. O valor dos poucos lotes vendidos no leilão de estréia, de R$ 1,70, animou os produtores que acompanharam o pregão.
Mas a principal vantagem, segundo ela, é que a Bolsa elimina o atravessador. ‘‘Para chegar ao atacadista, a uva passa por até três atravessadores’’, diz. Ela explica ainda que, muitas vezes, o comprador levava a uva até São Paulo, maior centro comprador, e esse alegava que o mercado estava saturado, pagando um preço baixo ao produtor. ‘‘Com o leilão em Bolsa, vamos evitar a especulação em cima do viticultor’’, garante ela.
Mas a comercialização da uva em Bolsa, explica Vera Lúcia, traz muitas vantagens tanto para quem vende como para quem compra. O produtor terá condições de planejar a safra, trabalhando com o mercado à vista. Hoje, ele recebe a mercadoria com prazos de 20 a 30 dias. O comprador também será beneficiado sem a presença do atravessador, comprando mercadoria de qualidade garantida e a preços mais baixos. ‘‘O sistema vai permitir uma redução inclusive dos valores praticados no mercado consumidor’’, acredita. A Bolsa igualmente garantirá a agilidade necessária na comercialização da uva. O comprador terá dois dias após o pregão, para pagar a mercadoria, e o produtor entrega a uva pronta no terceiro dia.

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