Prevista nova redução da área
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sexta-feira, 03 de abril de 1998
Jota Oliveira 
Apesar disso, neste ano, novamente, o Paraná produzirá menos do que na safra anterior. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, a redução de área deve ser 15,5% em relação ao plantio da safra passada, baixando de 798.300 hectares para cerca de 757.000 ha. Caso se confirme esta tendência, a produção também cai, de 1,6 milhão para 1 milhão 362.600 toneladas, considerando a produtividade média, no Estado, de 1800 kg/ha.
Causa principal da nova redução de área: as facilidades de pagamento e os preços menores atraem os moinhos para o trigo estrangeiro. Especialistas como Milton Alcover, pesquisador aposentado do IAC e do Iapar (ler Opinião, na página 2), e pesquisadores da Embrapa e do Iapar, garantem que a triticultura brasileira é viável. Tanto que há 11 anos o Brasil esteve perto de alcançar a segurança no abastecimento: para um consumo de 7 milhões de toneladas por ano, o País produziu 6 milhões de toneladas. Não atingiu a auto-suficiência nas duas safras seguintes, porque o governo, único comprador na época, mudou as regras de comercialização, saiu do mercado no meio daquela safra e assim deixou os produtores nas mãos das indústrias. Desde então o País vem importando cada vez mais, e hoje dois terços do consumo interno são atendidos por importações, principalmente da Argentina, segundo calcula o pesquisador Sérgio Dotto, da Embrapa-Soja.
DesânimoEm matéria publicada quarta-feira passada pela Folha (Agribusiness), o técnico do Deral, Otmar Hubner, diz que o motivo do desânimo dos produtores em relação ao trigo é a falta de mercado e, consequentemente, o preço em queda livre. Desde 1996, lembra Hubner, o preço caiu 37%, baixando de R$14,74 para R$9,30. Hoje, o custo de produção é calculado pelo Deral em R$10,80, ou seja, 14% acima do preço atual de mercado. E o preço mínimo é o mesmo de dois anos atrás: R$157,00 a tonelada.
Neste ano, analisa o técnico, repete-se o que ocorreu em 1997: Continua faltando mercado, porque os moinhos estão se abastecendo em outras praças, para conseguir vantagens financeiras. Até há dois ou três anos a principal alegação das indústrias para importar era a qualidade do trigo brasileiro. Hoje o trigo produzido no Paraná e em outras regiões do Brasil é de excelente qualidade, não deixando nada a desejar quando comparado ao trigo importado, garantem os pesquisadores Sérgio Dotto e Dionísio Brunetta, da Embrapa-Soja.
Esses pesquisadores consideram o trigo a melhor opção de cultivo no inverno, porque é a cultura que dá melhor retorno nessa época, embora Dionísio ressalve que toda cultura de inverno é de risco.
Risco menorQuem cultivar trigo este ano, no Paraná, corre menor risco de perdas físicas. A maior ameaça a qualquer cultura, no inverno, é a geada, mas uma regionalização aperfeiçoada em relação ao do ano passado diminui esse risco. Basta para isso seguir as recomendações de épocas de plantio, definidas segundo as condições de clima, solo e topografia de cada região e município produtor. Dionísio Brunetta destaca que o grande mérito da regionalização da época de semeadura é reduzir ao máximo as eventuais perdas provocadas pelos efeitos do clima sobre as lavouras. (Veja nesta página um quadro com as melhores épocas de semeadura de trigo nas diversas regiões tritícolas do Paraná).
O outono começou no dia 20 de março e, no dia 21, iniciou-se a época recomendada para semeadura no Norte do Paraná, onde se colhe o trigo de melhor qualidade do Estado. Esta diferença tem explicação, comenta Dotto: na fase de espigamento e maturação ocorrem períodos mais secos e alta insolação.
Além da regionalização feita para dar maior segurança aos agricultores no planejamento do plantio, estão disponíveis 3 milhões de sacas de sementes de trigo, e foram recomendadas mais 27 cultivares para o Estado.
Esta oferta de sementes de muitas variedades permite aos agricultores também diversificar épocas de cultivo, escolhendo variedades de ciclos diferentes. Desta forma, salientam os pesquisadores, estabelece-se um certo equilíbrio nas lavouras, impedindo o ataque em larga escala de pragas e doenças.
ReduçõesO levantamento da intenção de plantio, feito pelo Deral, indica a probabilidade de redução da área nas seguintes proporções, em cada região produtora: Oeste - 21% (menos 62 mil ha); Centro-Oeste - 26% (- 43 mil ha); Sudoeste - 12% (- 9 mil ha), Sul - 14% (- 12 mil ha); Norte - 5% (- 14 mil ha); Noroeste - 33% (-4 mil ha).(Participaram: Cristina Côrtes e Vânia Casado.)


