Previsão não vê lucro para safra 2005/06
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de julho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O produtor rural não deverá ter lucros exorbitantes na safra 2005/2006. O mercado não sinaliza cotações atraentes para os grãos e a política cambial deve se manter como está. A projeção é que o dolar oscile entre R$ 2,30 e R$ 2,70 entre julho de 2005 a janeiro de 2006. Diante desse quadro, os produtores devem ser cautelosos na compra dos insumos para não se endividarem ainda mais. A orientação foi dos técnicos que participaram esta semana de uma teleconferência patrocinada pela Emater.
Nesse período que antecede o plantio da safra de verão o produtor costuma ser alvo de uma série de informações para escolher a melhor opção de cultivo. Sobre o plantio de milho e soja, os técnicos deixaram claro que não há evidências de mudanças expressivas na produção de grãos dos Estados Unidos, que podesse alterar o mercado interno. A tendência é de estabilidade e o preço da soja deve ficar ao redor da média histórica, em torno de US$ 11,30 a saca. Para quem optar em plantar o feijão na safra de verão, a melhor remuneração, será com vendas fora do pico de safra. ''O mercado interno desse grão não é afetado pelo internacional, assim, terá sucesso quem conseguir segurar a produção'', garantem.
A variação cambial prevista para os próximos meses aponta para uma dificuldade de preços também para a comercialização da próxima safra. A orientação dos técnicos é que o produtor plante de olho no custo de produção. A diferença entre os custos e a receita será mínima, o que deverá obrigar o produtor a fazer seus cálculos da forma correta para não colher prejuízos posteriormente.
Informações sobre o mercado cambial são fundamentais para evitar o que houve na safra passada em que os produtores plantaram quando os preços dos insumos estavam elevados e na colheita a desvalorização do dólar frente ao real derrubou as cotações dos produtos agrícolas, o que reduziu a receita prevista para o agronegócio.
Sobre o comportamento climático o representante do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Luiz Renato Lazinski, informa que as previsões são para a repetição do clima que predominou na safra passada, ou seja, períodos de estiagem prolongada alternados com chuvas excessivas.
Como na safra anterior (2004/2005) o clima foi responsável por quebra de 20% da produção agrícola do Estado, a orientação é que desta vez o produtor adote tecnologias para se precaver contra a repetição das perdas também. O responsável pela Comunicação da Emater, João Luiz Parchen, lembra que o produtor tem condições de minimizar esses riscos com o plantio de variedades de ciclos diferentes.


