Muita coisa já deveria ter sido feita para diminuir os riscos de geadas nos cafezais mais novos. Se não foram, ainda é tempo de tomar algumas providências. Se o agricultor tem um cafezal antigo, situado no sul do terreno, onde o ar frio estaciona e ‘‘queima’’ as plantas; um terreno sujo de mato, que também retém o ar frio; ou em baixadas, existem poucas possibilidades de evitar danos de uma geada severa. Mas, se obedeceu as técnicas sugeridas para a nova cafeicultura paranaense, as possibilidades de escapar sem grandes danos econômicos são maiores.
Como se prevenirO agrônomo do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Paulo Caramori, orienta que uma das alternativas é semear duas linhas de tremoço de cada lado da linha de café, dentro do sulco da linha de plantio com matracas. A semeadura deve ser feita no início de abril e deve-se irrigar para garantir a emergência. Outra opção é semear uma linha de guandu comum na entrelinha do cafezal, entre outubro e novembro, com matracas, na densidade de seis a sete plantas por metro e podar o guandu após o inverno.
Paulo Caramori avisa que ainda que é preciso eliminar eventuais barreiras, inclusive quebra-ventos, no cafezal. As árvores alinhadas podem impedir o escoamento do ar frio para fora da lavoura. As variedades de porte alto resistem mais, nas baixadas, às geadas de radiação. As de porte baixo são mais resistentes à geada de vento (‘‘negra’’), devendo estar localizadas nas partes mais altas da propriedade.
‘‘Plantas bem nutridas resistem melhor’’, lembra o pesquisador. Folhas com maiores teores de sais possuem menor temperatura de congelamento do seu líquido intracelular. É importante evitar a desfolha que pode ser provocada, principalmente, pela ferrugem. Plantas desfolhadas são muito suscetíveis, pois os ramos onde se localizam as gemas que darão origem aos frutos são mais atingidos.
AlertaSegundo Paulo Caramori, o agricultor deve estar alerta para as condições que favorecem a formação da geadas. Em noites de céu claro, quando não há nebulosidade, a temperatura pode cair cerca de 7Cº (graus centígrados) em 12 horas. Com previsão de massas de ar frio a queda de temperatura pode atingir mais de 12ºC em 12 horas. Medir a temperatura na relva, com termômetro em contato com a superfície ou a vegetação é outra prevenção. Se a temperatura for igual ou menor do que 4ºC haverá condiçõies para formação de gelo ou geada.
Mesmo em áreas cobertas por estufas, deve-se prestar atenção na queda noturna de temperatura. Das 17 horas até as 6 horas da manhã seguinte a temperatura por cair um grau por hora. Começa-se a observar a temperatura por volta das 18 horas. Caso já esteja a 9ºC, às 6 horas da manhã, com céu limpo e baixa umidade, estará próxima dos - 3Cº (negativos) nas folhas, podendo danificar cafeeiros. Se às 18 horas estiver em 12Cº, às 6 horas estará com 0Cº (zero grau), danificando hortícolas.
RecomendaçõesNo caso do café, para os dias em que há previsão de geadas o produtor pode fazer o enterrio das plantas; cobrindo na véspera e retirando a terra manualmente, no máximo, 20 dias depois. ‘‘Esse método dá proteção total’’, assegura Caramori. Pode-se fazer também o chegamento de terra junto aos troncos no mês de maio. O manejo é uma prevenção e pode ser feito em lavouras com seis meses até dois anos no campo.
O que é geada?Segundo o Centro de Estudos e Pesquisas Agropecuárias (Cepagri), da Unicamp de Campinas (SP), a geada é a formação de uma camada de cristais de gelo na superfície ou na folhagem exposta, devido à queda de temperatura da superfície abaixo de 0Cº (zero grau centígrado). A principal causa é a advecção, que é a transmissão do calor pelo movimento horizontal de uma massa de ar polar. Os tipos mais conhecidos de geada são a ‘‘branca’’, que congela a parte superficial da cultura; e a ‘‘negra’’ que congela a parte interna da cultura.
De acordo com informações do Cepagri, em noites de geadas, com a ausência de ventos, o ar frio ‘‘escorre’’ encosta abaixo como se fosse água durante a chuva, e se acumula no fundo dos vales ou bacias. Assim, culturas plantadas nas partes baixas do terreno, estão sujeitas às geadas. O conselho dos técnicos é manter a meia-encosta livre de mato e o solo uniforme, permitindo que o ar frio passe livremente, sem prejudicar a cultura.

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