O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), acaba de fazer uma estimativa, considerada alta, da safra nacional e mundial, mas a causa principal da queda do preço neste ano é o ‘‘aperto financeiro’’ do produtor, que está colhendo e vendendo, para cobrir despesas, após uma safra muito pequena. Em contrapartida o Conselho Monetário Nacional aprovou a concessão de crédito, para todos os segmentos da cafeicultura, destinado a estocagem. Dessa forma o produtor livra-se da necessidade de vender logo sua safra, e mais adiante o comércio e a indústria têm possibilidade de adquirir café para formar estoque. Assim, espera-se, o mercado girará mais rapidamente.
O ano cafeeiro começa dia 1º de julho e termina dia 30 de junho do ano seguinte. Dessa forma, a última safra (ano cafeiro 97-98) fechou há quatro dias, quando o Departamento Nacional do Café (Denac), órgão do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, divulgou a segunda previsão da safra cafeeira 1998-99 (33,95 milhões de sacas), que aponta a perspectiva de um incremento de 80,01% em relação ao ano-safra, que acaba de terminar. Ao mesmo tempo anunciou a aprovação, pelo Conselho Monetário Nacional, de uma proposta do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), para liberação de R$900 milhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) ‘‘com vistas à implementação de dois programas destinados ao financiamento de pré-comercialização da safra ora em fase de colheita’’ e para custeio dos tratos culturais das lavouras cafeeiras no ano- agrícola 1998/99.
LevantamentosO presidente da Comissão Técnica de Café da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Wilson Baggio, que é também presidente do Sindicato Rural de Cornélio Procópio, espera que o dinheiro do Funcafé ajude na recuperação dos preços que estão em baixa em pleno inverno (no começo da semana o melhor café era cotado a R$120,00 a saca (metade do que valia em janeiro), e continuou caindo, quando historicamente ocorre o contrário: nos meses mais frios do ano a tendência é melhorar a cotação, porque o consumo aumenta.
Baggio atribui a redução atual do preço, principalmente, ao aperto financeiro dos cafeicultores. Ele não acha muito grande a previsão do Usda, mas lembra que ela é feita por um único homem. Segundo o Usda o Mundo está produzindo 107,5 milhões de sacas (quando o Brasil esperava 100 milhões/sacas em todo o Planeta). Conforme essa previsão, o Brasil deve colher 35,8 milhões sacas, 52% acima dos 23,5 milhões/sacas obtidos no ano passado. O Usda superestima a safra brasileira, enquanto o Denac espera 33,95 milhões de sacas de café beneficiado - 8,92% de aumento em relação à primeira estimativa, devido a condições climáticas favoráveis ‘‘e melhores tratos culturais’’.
Baggio desconfia do método usado pelo Usda para fazer suas estimativas de safra: enquanto, no Brasil, o Departamento de Agricultura americano mantém apenas um homem, o egípcio Leon Yalloz, o Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo utiliza 350 técnicos. de várias instituições, que visitam 2660 propriedades (1250 em Minas Gerais, 600 no Espírito Santo, 400 em São Paulo, 243 na Bahia e 167 no Paraná), onde entrevistam produtores e analisam as condições da lavoura. Enquanto isso, sozinho, o técnico do Usda, um homem de 69 anos, ‘‘vai a todos os Estados, entra nas fazendas, não conversa com ninguém; solitário, roda 32 mil quilômetros por ano ao volante de seu carro’’. ‘‘E há 40 anos trabalha sozinho no caf钒, admira-se Baggio.
A safra cafeeira 97/98, já realizada, proporcionou 18,06 milhões de sacas limpos. O parque cafeeiro nacional é formado por 3,26 bilhões de pés. O diretor da Faep calcula que o Brasil necessita, neste ano-safra, de 15 milhões de sacas para exportação de café verde, 12 milhões para consumo interno e 2,5 milhões para a indústria do solúvel. Dos 15 milhões, 9 milhões são necessários no primeiro semestre, que começou em 1º de julho e vai até dezembro/98.Arquivo FRA produção brasileira deve chegar, nesta safra, a 33,95 milhões de sacas de café beneficiadoJota Oliveira

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