Preservar, questão estratégica
Da Redação
Mais de 700 pesquisadores do Brasil e do Exterior reuniram-se em Brasília, durante a última semana de novembro, para debater uma questão considerada cada vez mais estratégica: a conservação genética de espécies vegetais, animais e de microorganismos para garantir a segurança alimentar. O evento, promovido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), foi o 2º Simpósio de Recursos Genéticos para a América Latina e Caribe Sirgealc.
A biodiversidade, ou seja, a variedade das espécies, é muito maior nesta região. Só o Brasil concentra 20% de todas as espécies que ocorrem no mundo, observa o coordenador do evento, Afonso Candeira Valois. Justamente por esse fator, os organizadores do Sirgealc tiveram o cuidado de escolher como palestrantes pesquisadores da América do Norte, Europa e Austrália.
Valois explica que esse cuidado se deve fato de que há duas realidades distintas, nesses continentes, a América Latina e o Caribe, que se complementam. Nesses continentes estão países desenvolvidos que têm infra-estrutura, pessoal capacitado na área, mas poucos recursos genéticos, enquanto há países em desenvolvimento da América Latina e do Caribe têm uma grande biodiversidade, mas precisam de mais apoio logístico, infra-estrutura e pessoal capacitado. O evento é uma forma de dizer que estamos abertos ao intercâmbio, explicou Valois.
Os recursos genéticos entraram na pauta das discussões sobre segurança alimentar porque muitas espécies vão se extinguindo, se não forem exploradas ou se a área em que ocorrem sofrer intenso processo de degradação. Os 6 bilhões de habitantes do mundo se alimentam, hoje, de 120 das 267 mil espécies vegetais conhecidas. Dessas, apenas 80% vão à mesa das populações, só 15% se tornam produtos de consumo e 60% dessas espécies usadas para alimentação se resumem a quatro culturas: arroz, batata, milho e trigo. Se uma delas acabar, as pessoas morrerão de fome, tal como ocorreu na Irlanda, no século passado, quando a batata, que representava mais de 90% da fonte de alimentação do país, foi dizimada, ressalta Valois.
Para entender a importância do Brasil nesse contexto, basta saber que o país tem 55 mil espécies vegetais. Os Estados Unidos detêm apenas 0,01% da variabilidade genética de plantas do mundo. A França tem 50 espécies, enquanto na Amazônia, encontram-se 500 espécies num só hectare.





