Preservação une cooperativa e comunidade Comunidade preserva mata nativa
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sexta-feira, 06 de julho de 2007
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Uma área de 50 hectares de mata nativa, considerada o pulmão da cidade de Medianeira (58 Km ao norte de Foz do Iguaçu) é uma das grandes preocupações da Frimesa, cooperativa responsável pelo abate e industrialização de suínos e fabricação de cerca de 300 tipos de laticínios. A empresa, que em dezembro completa 30 anos, desenvolve um projeto de conservação que envolve a comunidade de bairros vizinhos e apresenta resultados positivos, à medida em que as pessoas se conscientizam sobre a necessidade de preservar o meio, como forma de sobrevivência e melhora na qualidade de vida.
Para o especialista em gestão ambiental da cooperativa, Itamar Cassol, várias ações relativas ao meio ambiente são desenvolvidas com a comunidade. ''São ações preventivas que atendem a política ambiental da empresa, no sentido de respeitar e conservar o meio ambiente''. Dentro dessa política, a Frimesa implantou programas para tratar e medir emissões atmosféricas, coleta seletiva de lixo, encaminhamento de resíduos sólidos e tratamento de efluentes líquidos. Um laboratório ambiental dentro da própria cooperativa monitora 26 parâmetros de água (análises realizadas).
Mas é dentro do trabalho de educação ambiental que as pessoas da comunidade são envolvidas. Ações internas, como um programa de treinamento na área de gestão ambiental, gerou a Sima - Semana Interna de Meio Ambiente - que no mês passado realizou o terceiro evento, explorando o tema ''Utilização Racional de Recursos Naturais''. Durante os trabalhos, foram montadas dez oficinas com os filhos dos colaboradores da cooperativa, que tiveram expostas as formas corretas de utilização dos recursos naturais. O evento também distribuiu ainda cerca de 4 mil mudas de árvores, flores e plantas medicinais. ''Tivemos uma participação muito efetiva com resultados satisfatórios'', afirma Cassol.
Mas é do lado de fora que está o trabalho de conservação mais abrangente desenvolvido pela empresa. Um projeto de interação com a comunidade, envolvendo cinco bairros vizinhos está preservando 50 hectares de mata nativa dentro da área de 70 hectares onde está instalada a Frimesa.
Segundo Cassol, os problemas eram grandes na mata. ''Por ser uma área aberta, bem no meio da cidade, muitos moradores cortavam caminho pelo local, caçavam, pescavam de forma a degradar a área''. Preocupada, a empresa cercou os 50 hectares da mata nativa e hoje desenvolve um trabalho de preservação junto à comunidade.
O projeto de preservação foi desenvolvido em três módulos. Um deles fala sobre o funcionamento da cooperativa, o outro discute questões ambientais e o terceiro criou um pacto de cooperação entre a empresa e a comunidade no sentido de preservar a natureza. ''Conseguimos atingir cerca de 350 pessoas em mais de 800 horas de atividades'', relembra Cassol.
Cassol ressalta que o trabalho de preservação foi desenvolvido em cinco bairros vizinhos, que identificaram os principais problemas a serem combatidos. Na Vila Alegria, por exemplo, onde o lixo era o maior problema, foi realizado um mutirão de limpeza e providenciada a instalação de lixeiras para coleta seletiva. ''Em outros bairros, identificamos outras demandas. No Condá, por exemplo, que faz divisa com a mata, foram plantadas cerca de 50 mudas de Ipês (branco, amarelo e roxo), e cada pessoa adotou uma árvore''.
Nos Jardins Irene e Laranjeiras, a necessidade era arborizar uma escola que atende os dois bairros. Foi criado o projeto ''Árvore na escola'', e o primeiro trabalho realizado foi o da conscientização dos alunos, que muitas vezes destruíam as mudas de árvores plantadas. ''Foi o desafio do plantio, até que as crianças se conscientizassem da necessidade de preservar a planta. Hoje, os alunos assumiram os cuidados das árvores na escola, orientando, inclusive os alunos novos, que são alertados sobre o projeto''.
No bairro Frimesa um total de 80 mudas de quaresmeiras foram plantadas para embelezamento das ruas. ''Fizemos uma parceria junto aos moradores que estão valorizando cada vez mais o local onde vivem''. O resultado é a conservação dos bairros e a melhora na qualidade de vida das comunidades.


