Preservação que gera lucro
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sábado, 19 de novembro de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem local 
Apesar de ainda ser um mercado em construção e ainda um pouco distante da realidade do agronegócio brasileiro, o comércio de créditos de carbono pode ser uma alternativa para que agricultores e pecuaristas recebam incentivos para ajudar na manutenção de suas reservas legais ou até mesmo Áreas de Preservação Permanentes (APPs) localizadas em suas propriedades.
Receber ajuda para construção ou preservação de uma área verde, por meio do comércio de créditos de carbono, é uma proposta bem vista no campo. Ezequiel Campaner, produtor de grãos da região de Rolândia, revela que não é justo que o agricultor arque sozinho com a conservação de uma mata nativa. ''A responsabilidade de cuidar do meio ambiente não é só nossa, mas de todos. Isso também inclui a população que reside na zona urbana'', desabafa Campaner.
Themis Piazzetta Marques, coordenadora da Coordenadoria de Mudanças Climáticas da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), aponta que o comércio de carbono pode ser uma das alternativas para ajudar os produtores a arcarem com custos de preservação de suas áreas. Ela aponta que, por meio da implantação de espécies de plantas nativas, é possível capturar carbono da atmosfera. Um exemplo citado por Themis é a araucária. Essa espécie já começa a gerar interesse de grandes empresas no Sul do Estado pelo seu alto poder de retenção de carbono.
''Nosso objetivo é que a comercialização de carbono seja algo comum no Paraná e a araucária pode ser o primeiro passo'', destaca. O governo do Estado, por meio do recém-criado programa Bioclima Paraná, que visa incentivar a produção sustentável e a conservação da biodiversidade, já vem trabalhando junto com indústrias e produtores para que invistam na captura de carbono. As empresas, destaca a coordenadora, já se mostram interessadas na compra de créditos para mitigar suas emissões de gases poluentes. Com esse trabalho, por sua vez, elas fomentam a criação ou manutenção de uma área de proteção ambiental.
Segundo a coordenadora da Sema, o Paraná já tem a primeira empresa credenciada em adquirir créditos de carbono. A transportadora Loga Logísttica & Transportes, localizada na região de Curitiba, investiu cerca de R$ 100 mil para fomentar a produção de araucárias em propriedades rurais que ficam nas proximidadas da empresa. Ao todo, serão cerca de 15 mil mudas que começarão a ser plantadas já em março do ano que vem, segundo informações do coordenador de qualidade da empresa, Rafael Maia.
Com esse investimento, a empresa deverá compensar entre 13% e 15% de suas emissões de CO2. Aliado a isso, os produtores, que ainda estão em processo de seleção, cumprirão, sem nenhum custo adicional, a legislação que os obriga a destinar 20% da propriedade para reserva legal. Maia esclarece que o dinheiro irá ser liberado aos produtores quando todas as araucárias estiverem plantadas.
Vantagem
Themis completa que esse tipo de projeto fomentará a sustentabilidade em um dos Estados mais agrícolas do País. ''Os dois lados ganham com a comercialização de créditos de carbono: a empresa em marketing e o produtor em recursos financeiros'', sublinha. Contudo, a coordenadora da Sema elucida que para esse mercado crescer é necessário haver interesse de ambas as partes.
Para ela, a união entre empresas e produtores poderá ser de grande proveito, principalmente na adequação dos agricultores ao código florestal. Ela espera que o programa Bioclima Paraná diminua o processo burocrático para a venda e compra de créditos de carbono. Iniciativa que, em sua opinião, viabiliza uma agricultura mais sustentável.
A escolha por uma plantação de floresta, segundo um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), é devido à sua alta absorção de CO2. A produção dessas árvores em meio à lavoura, propicia um ambiente mais equilibrado.


