As águas das bacias dos rios Pirapó e Tibagi estão em boas mãos em toda a região de Apucarana, no norte do Paraná. Há um ano, o Projeto Oásis, encabeçado pela Secretária de Meio Ambiente e Turismo, premia financeiramente proprietários rurais que preservam as nascentes, minas, florestas (reserva legal) e matas ciliares do município, abrangendo 1,35 mil alqueires. Nessa semana, mais 69 produtores de ambas as bacias ingressaram no trabalho, que agora soma 133 pessoas que recebem entre R$ 99 e R$ 562 mensais, constituindo o primeiro caso de grande magnitude no País de Pagamento por Serviços Ambientais (P.S.A). Um projeto que fortalece a consciência ambiental de forma efetiva no Estado e ainda auxilia os pequenos produtores financeiramente.
Em 2010, quando iniciado, o Projeto Oásis tinha uma cara completamente diferente. Os produtores recebiam apenas pela vazão de água das nascentes em suas propriedades. Após o ingresso da Fundação O Boticário de Proteção da Natureza e diversos outros parceiros a atuação ficou mais interessante em relação aos cuidados com a natureza. ''Agora toda a biodversidade é considerada. Uma planilha foi elaborada e diversas questões são avaliadas, como a mata ciliar e reserva legal. A partir daí estamos construindo uma consciência ambiental'', avalia João Batista Beltrame, secretário do Meio Ambiente de Apucarana.
Com recursos oriundos de diferentes parceiros, o montante do primeiro lote de 2011 é de R$ 23,7 mil, sendo R$ 15,93 mil para produtores da bacia do Pirapó e R$ 7,84 mil para os da bacia do Tibagi.
Jorge Nishikawa, presidente do Sindicato Rural de Apucarana, ressalta que apesar dos valores parecerem pequenos, eles fazem toda a diferença para as famílias, que em grande parte possuem rentabilidade mínima em suas propriedades. ''Há uma mudança de postura de quem participa, e ainda eles são beneficiados financeiramente. Muitos pequenos produtores vivem na miséria, então por menor que seja o valor, é dinheiro para eles. Por isso podemos dizer que existe um cunho social no Projeto''.
Segundo Beltrame, há poucos programas com esse molde no Brasil, e grande parte deles ainda são pilotos e lidam com poucos produtores. Ele comenta que quem participa do trabalho possui diversos perfis, desde os que ainda fazem parte apenas para receber o benefício até os que realizam mais do que a lei determina. ''Temos que ter paciência. Consciência ambiental não se faz com decretos. Só o fato das pessoas se inscreverem, já é meio caminho andado. Bem ou mal, estão fazendo a lição de casa''.
O impacto do programa foi tão significativo no Paraná, que existe a possibilidade dele se extender para muitas cidades do Estado, inclusive em Londrina. ''Para o Paraná e Santa Catarina, acho que essa é uma das maneiras mais eficientes de dar sustentabilidade aos pequenos produtores. Dezenas de municípios já se interessaram pelo Projeto, mas acho que quando Londrina aderir aí sim ele vai alavancar de vez'', complementa o secretário João Beltrame.

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