O agricultor Milton Munhoz, 39 anos, tido como produtor modelo na região de Campo Mourão, não demonstra otimismo para o novo milênio. ‘‘A concorrência internacional com a globalização está deixando os produtores com medo’’, conta. ‘‘Estamos sendo mais globalizados do que globalizando’’. Munhoz cita, principalmente, os subsídios dados aos agricultores norte-americanos e europeus, que deixam os produtos importados mais baratos que os nacionais.
‘‘No caso da soja, o produtor americano tem a garantia de US$ 5,26 por bushell (medida equivalente a 27,21 kg)’’, cita Munhoz. Ele fez as contas e descobriu que, na conversão, isso representa um preço mínimo de R$ 21,94 para saca de 60 quilos. ‘‘Nossos preços estão pelo menos 30% inferiores a isso’’, ressalta. Segundo ele, a agricultura está entrando no terceiro milênio com uma briga que antes não existia. Além disso, ele acha que os agricultores não estão preparados para tantas mudanças.
‘‘Hoje o mercado está muito rápido. O agricultor tem que estar ligado com o mundo o tempo todo’’, explica. Com relação ao milho, Munhoz também parece pouco otimista. Ele lembra que está havendo uma corrida à cultura e a expectativa de aumento de área e de produção deverá comprometer os preços na época da colheita. ‘‘Temos muito poucos compradores do produto no País’’, lembra.
Munhoz também teme que seja liberada a importação de milho transgênico da Argentina. ‘‘Se o governo e a justiça autorizarem a importação, será uma traição aos produtores brasileiros’’, frisa. Segundo ele, a máxima de que é preciso produzir sempre mais com cada vez menos custos é ‘‘fácil apenas de falar’’. ‘‘O agricultor precisa de sustentabilidade’’, diz. Para ter boas notícias, Munhoz apela às ‘‘forças divinas’’. ‘‘Temos que pedir a Deus para que nos ajude com o clima’’. (S.S)

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