Preocupação com a qualidade
A possibilidade de conseguir colher mais café na mesma área tem animado os produtores, mas a pesquisa alerta: é preciso ter os pés no chão para adotar a novo modelo tecnológico. A densidade de plantio é apenas um dos fatores desta técnica, que inclui também manejo de solo, manejo de pragas e doenças, uso de variedades adequadas para a região e cuidados básicos com a qualidade do produto.
Segundo o pesquisador Armando Androcioli, do Iapar, as variedades mais recomendadas hoje em dia para a técnica de plantio adensado são a mundo novo e a icatu, de porte alto. A catuaí e a Iapar 59, que têm porte menor, são indicadas tanto para o sistema adensado como para o superadensado. A Iapar 59 está sendo a mais procurada, por ser resistente à ferrugem, apresentar maturação precoce e ser menor que a catuaí tanto em diâmetro de copa como em altura.
O pesquisador lembra que no início da implantação do Programa Café, as preocupações giravam em torno do aumento da produtividade e da redução de custos. Hoje estas etapas estão praticamente vencidas, e a grande preocupação do Estado, segundo Androcioli, passa a ser com a qualidade do café obtido no Estado. Com uma boa produtividade, os produtores passam a ter condições de investir na colheita (feita no pano e parceladamente) e secagem, aspectos fundamentais para a preservação da qualidade do grão.
A tecnologia exige cuidados também por parte de quem está implantando a cultura, daí a preocupação do agrônomo Francisco Barbosa, do Denac, com os pequenos produtores. O agricultor está descapitalizado, e o café adensado exige alto investimento inicial, com bom preparo de solo e adubação adequada, por exemplo. Se não, pode estar sujeito a uma grande frustração, alerta.
Na opinião de Barbosa, o Governo deveria ter linhas de crédito específicas para implantação de café adensado, que atenderiam estes pequenos produtores. A parte técnica está sendo bem divulgada e apoiada, mas falta ao produtor condições de adotar adequadamente a tecnologia, afirma. (S. L.)





