Na opinião de Karla Beck, engenheira agrônoma da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), o estudo do Iapar e, consequentemente, a resolução da Seab vem ressaltar a importância do terraceamento na lavoura. Ela aponta que a implantação e manutenção de terraços é uma das metas da cartilha Plantio Direto - Em Busca da Qualidade, lançada em conjunto por diversas entidades do setor.
''A Faep está muito preocupada com a conservação de solo. Plantio Direto e terraceamento são apenas algumas práticas que devem ser adotadas'', frisa. Segundo Karla, a federação vai divulgar o boletim por meio do Senar e dos meios de comunicação da entidade.
O coordenador do Programa de Gestão Ambiental Integrada em Microbacias da Emater, Oromar João Bertol, observa que muita gente havia relaxado no quesito terraceamento e que o estudo do Iapar aponta a necessidade dessa prática. Bertol relata que durante as visitas feitas às microbacias o grupo tem percebido o aumento da erosão.
E isso, segundo ele, está ligado diretamente à falta de plantio direto com qualidade, feito de forma desleixada, além de outras questões como o abandono das estradas rurais. ''Precisamos analisar isso de forma sistêmica'', avalia Bertol, lembrando que todo mundo tem responsabilidade nos impactos ambientais. ''A má conservação do solo no meio rural pode atingir a área urbana, e a falta de algumas medidas no meio urbano, como a coleta seletiva, podem afetar a área rural''.
O assessor técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, confirma que o trabalho do Iapar vem de encontro a uma necessidade, que é a conservação de solos, porém algumas questões ainda devem ser discutidas. Uma delas é a reavaliação do espaçamento entre os terraços. ''Houve uma mudança tecnológica, com uso de máquinas maiores. Além disso, no dia a dia, o produtor acaba conhecendo o solo com o qual trabalha e sabe a quantidade necessária de terraços'', salienta o técnico, frisando que a pesquisa ainda precisa trabalhar melhor esse ponto.
Para Mafioletti, entretanto, o mais importante é que o produtor continue atuando no sentido de preservar solo e água porque se trata de benefício para ele mesmo. ''E o Paraná sempre foi referência em conservação de solo'', reforça. Segundo o técnico da Ocepar, a entidade vai ajudar na divulgação do estudo, por meio dos 1,4 mil profissionais da área técnica que atendem os produtores cooperados no Paraná. (E.Z.)

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