Prejuízos na safrinha
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de abril de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
A seca abalou realmente a safrinha de milho no Paraná, que teve sua área de colheita reduzida em 320 mil hectares este ano. Segundo a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral), o momento é de incertezas. O potencial das lavouras que foram plantadas com atraso e receberam chuvas, ainda está sendo avaliado. 'As chuvas dos últimos dias podem ter afetado as plantações de forma positiva, mas ainda é cedo para conclusões'', disse.
O adversário do produtor não foi apenas a seca. Menor investimento em tecnologia e compra de sementes de baixa qualidade - devido a alta de 60% nos preços dos insumos -, provocaram a queda de produtividade das lavouras. Vera ressalta que a colheita da safrinha está estimada em 4 milhões de toneladas, com a produtividade de 3.550 kg/ha.
''A região de Francisco Beltrão foi a mais atingida no Estado, devido a estiagem ocorrida entre os meses de dezembro e janeiro. A previsão é de que haja uma quebra de 55%'', comentou a agrônoma.
No início do mês, dirigentes da Associação Paranaense de Suinocultores (APS) e do Sindicato da Indústria de Abates de Aves (Sindiavipar) encaminharam pedido à Seab para que intermediasse junto ao Ministério da Agricultura e à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Querem a recuperação dos estoques públicos de milho no Estado.
No entanto, Vera afirma que o governo do Paraná possui um estoque de 500 mil toneladas. É pouco, mas esta quantidade é somada às 7,5 milhões de toneladas produzidas na primeira safra e às 4 milhões de toneladas esperadas na safrinha. O volume deve ser suficiente para atender aos avicultores, suinocultores, pecuaristas e as indústrias do Estado, que consomem cerca 7,5 milhões toneladas do grão por ano. ''É necessário apenas que o governo não remova o estoque do Paraná para atender a demanda de outros estados brasileiros'', disse.
O aumento na exportação também gera preocupação aos criadores de aves e suínos. Só no primeiro trimestre do ano já foram exportadas 1,8 milhão de toneladas de milho e a expectativa é que sejam exportadas 5 milhões de toneladas durante todo o ano. ''O mercado externo está favorável à compra do produto por isso, o volume de exportações poderá aumentar ainda mais'', analisou a agrônoma.
De um início de ano tranquilo ao tumulto experimentado pelo mercado neste momento, o preço do milho sofreu um aumento considerável, chegando a R$ 22,00/saca em algumas regiões do Estado. Este preço (R$ 22,00) foi pago nesta quinta-feira, em Paranavaí. ''A média de preço atual no Paraná é de R$ 18,60, um valor acima do praticado na mesma época do ano passado, que foi de R$ 16,83'', observou Vera.
Ela acredita que os produtores devam aproveitar esta alta de preços para vender parte da colheita passada. Nas contas da técnica, R$ 20 a R$ 22 é um bom preço para vender o milho, ''mas o ideal é parcelar as vendas, pois o cenário para o segundo semestre ainda é inseguro'', alertou.
Vera explica que a cultura do milho safrinha no Paraná representa metade da safrinha colhida em todo o Brasil. ''O Paraná é o maior produtor de milho safrinha do país e esta produção afeta diretamente o abastecimento nacional de milho'', afirmou. Por este motivo, o plantio da safrinha aumentou mais de 30% nos últimos cinco anos.


