Prejuízos maiores na região Central do BR
Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul são as regiões onde se concentram os maiores prejuízos causados pela ferrugem asiática da soja. Como a doença apareceu precocemente na safra, atingindo lavouras ainda no estádio vegetativo, há produtores que fizeram entre três e cinco aplicações de fungicidas.
Especialistas de diferentes instituições ligadas ao Consórcio Antiferrugem confirmam que essas regiões, além terem condições climáticas extremamente favoráveis ao desenvolvimento da ferrugem, sofrem uma pressão da doença ainda maior, em função do cultivo da soja na entressafra, irrigada por pivôs. Essa condição, cria um efeito chamado de ponte-verde, que faz com que o fungo continue se multiplicando num período em poderia estar diminuindo.
''Além das condições climáticas, muitos agricultores falharam no controle por utilizarem aplicações calendarizadas, durante a floração, com nova aplicação 20 depois. A primeira aplicação acabou ocorrendo tarde demais'', avalia Paulino José Melo Andrade, pesquisador da Embrapa Soja na região Nordeste do Mato Grosso do Sul. Segundo o pesquisador, a redução da vazão dos pulverizadores terrestres também contribuiu para a explosão da ferrugem. ''Tivemos agricultores utilizando até 30 litros, quando o normal é de 150 a 200 litros de calda por hectare'', explica Paulino.
Outro fator de destaque são relatos de que os fungicidas não estão sendo eficientes no controle da ferrugem. Especula-se que a causa poderia ser a seleção de população do fungo resistente aos produtos, mas não há comprovação para essa suposição.
''Na maioria das vezes, o insucesso está relacionado ao momento inicial de controle. Em muitas vezes, o agricultor ainda se confunde e o controle é iniciado quando os sintomas estão em um nível mais avançado'', explica José Nunes Júnior, fitopatologista de uma das entidades que integram o Programa Estadual de Manejo e Controle de Pragas da Soja - Soja Protegida.
''A falta de domínio das tecnologias de aplicação de defensivos, o uso de misturas de produtos ou doses abaixo do recomendado pelo fabricante também deixaram prejuízo no bolso do produtor'', avalia Claudine Santos Seixas, pesquisadora da Embrapa Soja.





