Curitiba - A estiagem que afeta o Paraná desde o final de 2008 já trouxe prejuízos de R$ 2,89 bilhões, o que significa a perda de 5,06 milhões de toneladas da safra de grãos que inclui as culturas de milho, feijão e soja. O novo levantamento divulgado nesta semana pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) elevou as perdas de 3 para 5 milhões de toneladas. Em volume produzido, essa é a maior perda que o Estado teve nos últimos 30 anos.
A estimativa inicial do Departamento de Economia Rural (Deral-Seab) que previa a colheita de 21,58 milhões de toneladas de grãos da safra de verão foi reduzida para 16,52 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 23,45%. A quebra na safra também já afeta o Valor Bruto da Produção (VBP) que era estimado em R$ 38,8 bilhões antes da estiagem e, agora, deve ficar em R$ 37,8 bilhões. Em 19 de dezembro do ano passado, as perdas previstas eram de R$ 1,5 bilhão.
O lado positivo da história é que os preços dos produtos começam a subir. Nos últimos 30 dias, o preço do milho subiu 15,9%, da soja 14,8% e do feijão 15,5%, segundo levantamento do Deral. A agrônoma do Deral, Margorete Demarchi, disse que os valores do milho e da soja são influenciados pela quebra de safra que ocorreu em outros Estados e na Argentina além de sofrerem reflexos dos preços internacionais. Por isso, estes dois produtos podem ter os preços ainda mais elevados no curto prazo.
Margorete destaca que no feijão e no milho as perdas são irreversíveis, culturas que já estão na metade da colheita. Ela acredita que parte da soja ainda pode ser recuperada. A oleaginosa teve 1% da produção colhida até agora. Ela lembrou que a colheita deverá ser antecipada. A colheita do milho deve iniciar na próxima semana. A técnica do Deral destacou que, quanto antes o milho safrinha entrar, é menor o risco de ser atingido pela geada. A cultura tem o plantio liberado a partir de 1º de janeiro.
Culturas
O levantamento realizado pelo Deral aponta que a previsão de produção do feijão cai de 610.390 toneladas para 374.987 toneladas, uma redução de 38,6%. As condições climáticas irregulares como seca no início do plantio, excesso de chuvas, baixas temperaturas e ventos frios durante o desenvolvimento das lavouras e para agravar, a estiagem ocorrida em novembro e dezembro nas principais regiões produtoras de feijão, provocaram a quebra de 235.403 toneladas de feijão.
Para o milho, a expectativa inicial de colher 8,72 milhões de toneladas cai para 5,98 milhões de toneladas, uma redução de 2,74 milhões de toneladas, que correspondem a uma quebra de 31,5% na produção.
A quebra na safra de soja está estimada em 2 milhões de toneladas. A expectativa inicial era colher 12,79 milhões de toneladas e agora foi reduzida para 10,15 milhões de toneladas, que corresponde a 17% da estimativa inicial de produção. Em 15 de dezembro, o preço médio da saca de soja era de R$ 40,40. Um mês depois, o valor saltou para R$ 46,37.

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