Negligenciar ações de controle da ferrugem asiática em curto ou médio prazo pode trazer prejuízos gigantescos para o País em dez anos. Não tomar medidas eficientes agora custará caro para os produtores. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Sparks Consultoria e Inteligência Competitiva, encomendada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e o Instituto de Estudos do Agronegócio, divulgada em Brasília recentemente para diversas entidades representativas da cadeia.
Os números, de fato, são alarmantes. Se nenhuma medida for tomada, as projeções para 2025 apontam perdas no País na ordem de R$ 40 milhões – baseada nas condições atuais dos preços da commodity – e um impacto na redução de produtividade na ordem de 30%. No caso do Paraná, o estudo mostra que as perdas girariam em R$ 6,31 bilhões, de uma produção que atingiria a casa das 19,6 milhões de toneladas.
De fato, os custos da ferrugem vêm numa crescente desde a safra 2001/02, quando foram datados os primeiros casos da doença, no Norte e Oeste do Paraná, segundo a Embrapa Soja. Os relatos ocorreram muito próximos dos primeiros informes do Paraguai e, posteriormente, Argentina. Só para se ter uma ideia da evolução dos gastos, os primeiros custos com a ferrugem fecharam em US$ 177 mil. Já em 2013/14, os gastos atingiram a marca de US$ 2,20 bilhões no País (veja o gráfico evolutivo). Os valores de perda do estudo consideram o custo médio dos produtos, da aplicação, somados à perda de grãos e à arrecadação do governo.
O diretor executivo da Abag, Luiz Cornacchioni, relata que foi feito um diagnóstico completo para se entender como a ferrugem vem se comportando no País, em todos os aspectos. Ele diz que uma das principais preocupações do cenário atual é que o desenvolvimento de novas moléculas para combate de doenças é demorado e muito custoso. O tempo necessário para chegar ao mercado varia entre sete e dez anos e o custo de pesquisa e desenvolvimento (P&D) girava em torno de R$ 256 milhões, em 2008. "Além disso, precisamos criar um processo menos burocrático de aprovação e chegada no mercado brasileiro. É claro que o processo de liberação precisa continuar rígido, entretanto mais ágil", salienta.
As soluções propostas e discutidas pela Abag estão em sinergia com as da Embrapa Soja, que participa das discussões. A criação de uma janela para semeadura, respeito ao vazio sanitário, plantio de cultivares precoces na época recomendada e aplicação de fungicidas nos primeiros sintomas ou de forma preventiva estão entre as sugestões. "Finalizamos um documento esta semana, baseado neste estudo encomendado, com a ideia que chegue até o agricultor algumas ações práticas para o controle da doença."
Apesar de alguns produtores aplicarem fungicidas de forma indiscriminada, não respeitarem o vazio sanitário e apostar na soja safrinha – que traz uma discussão fervorosa entre as entidades do agronegócio e pesquisa - Cornacchioni salienta que, de modo geral, os agricultores estão conscientes do problema.
"É claro que uma parte da situação é desburocratizar algumas situações mas também é responsabilidade dos produtores, que precisam ter consciência de suas ações. Temos um cenário trágico de futuro, mas temos mecanismos técnicos e regulatórios para evitar essa situação", complementa.

Imagem ilustrativa da imagem Prejuízos com ferrugem podem ultrapassar R$ 6 bi no Paraná
mockup