Prejuízos atingem todas as culturas
O aquecimento global pode mudar drasticamente a paisagem dos campos da agropecuária no país. O estudo avaliou cenários para as culturas do arroz, algodão, café, cana-de-açúcar, feijão, girassol, mandioca, milho e soja. As nove culturas pesquisadas, com exceção da cana-de-açúcar e mandioca, vão sofrer com a redução de áreas de baixo risco climático. Segundo o estudo, as únicas áreas que podem se beneficiar com o aumento de temperaturas são as que hoje sofrem com as geadas, como a região sul e alguns pontos a sudeste e sudoeste do Brasil.
Assad afirma que se os cenários se confirmarem, o café, por exemplo, terá que deixar áreas aptas de Minas Gerais e São Paulo e ocupar aquelas que atualmente são inviáveis por causa das baixas temperaturas. ''A região da Serra Gaúcha, onde hoje se cultiva frutas temperadas, não terá mais essa aptidão'', diz o pesquisador, que prevê a recomendação da cultura da banana para aquela área.
Soja
A soja é a cultura que terá maior restrição com o aquecimento global. As simulações mostram que as áreas do sul do país e dos cerrados nordestinos serão fortemente afetadas. ''No pior cenário, as perdas podem chegar a 40% em 2070 por causa do aumento da deficiência hídrica e do possível impacto dos veranicos mais intensos'', diz o estudo.
Principal produto da exportação brasileira, a soja apresenta o maior valor de produção da agricultura no país, com R$ 18,4 bilhões, segundo dados do IBGE de 2006. Os dados são preocupantes: em 2020 a perda de área favorável tratará prejuízos de R$ 3,9 bilhões e R$ 4,3 bilhões (cenários B2 e A2, respectivamente), provocada por uma redução de área apta de 21,62% a 23,59%. Em 2050, o prejuízo pode subir para R$ 5,47 bilhões (B2) e R$ 6,3 bilhões (A2), tendo em vista a redução de área entre 29,6% e 34,1%. Para 2070, no melhor cenário as perdas ficam em R$ 6,4 bilhões (34,86% da área) e R$ 7,6 bilhões (41,39%) no pior cenário. Esse montante equivale a metade das perdas que a agricultura deve ter nesta ocasião.
Arroz
Para o arroz, o estudo prevê em 2020 uma redução de área de baixo risco de 8,56% no cenário B2 (o menos pessimista) e de 9,7% no A2 (o pior cenário). Em 2050 a perda alcança 12,5% e 14% em 2070. Tomando como base a produção de 11,5 milhões de toneladas, cujo valor é R$ 4,3 bilhões, segundo dados do IBGE de 2006, o aquecimento trará em 2020 um prejuízo de R$ 368 milhões (cenário B2) e de
R$ 417 milhões (A2). Em 2050, as perdas podem chegar a R$ 530 milhões e em 2070, cerca de R$ 600 milhões nos dois cenários.
Café
Para o café em 2020 a queda da área de aptidão de 6,75% pode não parecer muito brusca no cenário B2, mas em 2050 a diminuição pode chegar a 18,3%, chegando a 27,39% em 2070. O aquecimento trará prejuízos de pelo menos R$ 600 milhões em 2020, R$ 1,7 bilhão em 2050 e R$ 2,55 bilhões em 2070. No A2 (mais pessimista), a queda de área de baixo risco é de 9,48% em 2020, 17,1% em 2050, chegando a 33% em 2070, o que representa prejuízos da ordem de R$ 882 milhões, R$ 1,6 bilhão e R$3 bilhões, respectivamente.
Cana-de-açúcar
Com a cana a situação se inverte. Segundo o estudo, áreas da região sul que hoje têm restrições de cutivo podem se transformar em áreas de potencial produtivo dentro de 10 ou 20 anos. O centro-oeste, hoje com alto potencial produtivo, continuará em condições de pouco risco, mas ficará cada vez mais dependente de irrigação complementar nos períodos mais secos. Com o cenário B2, a cultura pode passar dos atuais 6 milhões de hectares para 17 milhões de hectares em 2020, elevando o valor da produção dos R$ 17 bilhões, em 2006, para R$ 29 bilhões.
Porém, como alerta o estudo, com o aumento contínuo da temperatura no decorrer das décadas, a cultura vai necessitar de irrigação. Isto terá como conseqüência a redução da área para 15 milhões de hectares até 2070 no cenário B2, diminuindo o rendimento para R$ 24 bilhões. No A2, a cana atinge 16 milhões de hectares, num primeiro momento, caindo para 13 milhões até 2070. Neste cenário, o valor da produção pode subir para R$ 27 bilhões em 2020, regredindo para R$ 220 bilhões em 2070, prevê o estudo.
Cana-de-açúcar
Com a cana a situação se inverte. Segundo o estudo, áreas da região sul que hoje têm restrições de cutivo podem se transformar em áreas de potencial produtivo dentro de 10 ou 20 anos. O centro-oeste, hoje com alto potencial produtivo, continuará em condições de pouco risco, mas ficará cada vez mais dependente de irrigação complementar nos períodos mais secos. Com o cenário B2, a cultura pode passar dos atuais 6 milhões de hectares para 17 milhões de hectares em 2020, elevando o valor da produção dos R$ 17 bilhões, em 2006, para R$ 29 bilhões.
Porém, como alerta o estudo, com o aumento contínuo da temperatura no decorrer das décadas, a cultura vai necessitar de irrigação. Isto terá como conseqüência a redução da área para 15 milhões de hectares até 2070 no cenário B2, diminuindo o rendimento para R$ 24 bilhões. No A2, a cana atinge 16 milhões de hectares, num primeiro momento, caindo para 13 milhões até 2070. Neste cenário, o valor da produção pode subir para R$ 27 bilhões em 2020, regredindo para R$ 220 bilhões em 2070, prevê o estudo.
Feijão
Os prejuízos com o feijão podem alcançar R$ 155 milhões em 2020, em decorrência de uma redução de área apta de 4,3%. Em 2050, a área favorável ao cultivo irá diminuir cerca de 10%, provocando um prejuízo de R$ 360 milhões, que pode chegar aos R$ 473 milhões em 2070, com redução de área de 13,3%. As estimativas levam em conta a produção de 3,45 milhões de toneladas, com um valor de R$ 3,5 bilhões, segundo números do IBGE de 2006.
Algodão
No algodão, o impacto negativo em 2020 será de
R$ 312 milhões, de R$ 401 milhões em 2050, chegando a R$ 444,8 milhões em 2070 no cenário B2. No cenário A2, as perdas ficam em R$ 313 milhões, R$ 407 milhões e de
R$ 456 milhões, respectivamente. Esta análise leva em conta a produção de 2,9 milhões de toneladas em 2006, com um valor de R$ 2,8 bilhões.
Mandioca
A mandioca terá ganho de produção com a diminuição das áreas com riscos de geadas, principalmente na região sul, o que poderá atingir também a Amazônia, em decorrência da diminuição dos excedentes hídricos. Mas os pesquisadores alertam que a previsão mascara problemas que afetarão o Nordeste. O aquecimento vai aumentar áreas de alto risco no semi-árido e no agreste, justamente onde o produto é importante para a segurança alimentar.
De acordo com o estudo, em 2020 as perdas de área devem variar de 2,5% a 3,1%, respectivamente nos cenários B2 e A2, com um prejuízo de R$ 109 milhões no primeiro caso e R$ 137 milhões no segundo. A estimativa toma como base a produção de 26 milhões de toneladas, com um valor de R$ 4,3 bilhões.
Com a disponibilidade prevista no sul e na Amazônia, a raiz terá aumento de área apta de 7,29% em 2050 e de 16,6% em 2070 no melhor cenário, o que representará ganhos de R$ 318,8 milhões e R$ 726 milhões, respectivamente. No cenário A2 o avanço da área favorável é ainda maior: 13,48% em 2050 e 21,26% em 2070, com ganhos de R$ 589 milhões a R$ 929 milhões.





