Prejudicadas colheita e plantio
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Vânia Casado 
O índice pluviométrico acima do normal, registrado em setembro no Paraná, está prejudicando o início do plantio da safra de verão. Os produtores não podem ir para as lavouras para fazer o preparo do solo e, se aproveitam os poucos períodos de estiagem para acelerar o plantio, correm o risco de ver a semente apodrecer no solo. Além disso, a falta de luminosidade prejudica o desenvolvimento das lavouras. As culturas mais prejudicadas pelo tempo são o feijão das águas e o milho, cujo plantio se intensifica entre setembro e outubro.
A média da chuva registrada em setembro ficou em 150 milímetros acima da média histórica prevista nesta época (123 milímetros). Segundo o Simepar, a região mais castigada pelo excesso de chuvas é a de Campo Mourão, onde choveu até 270 milímetros acima da média histórica. Em outras regiões como o Norte, Oeste e Centro-Sul choveu entre 120 e 180 milímetros acima do normal. As regiões de Curitiba e Foz do Iguaçu tiveram precipitações entre 120 e 150 milímetros acima do normal.
MColheitaNa colheita da safra de inverno o impacto do clima é maior. O trigo tem uma quebra de produção de 12,7%, com a perda de 232180 toneladas. A previsão inicial era colher 1,82 milhão de toneladas e foi reduzida para 1,59 milhão de tonelada. A perda de renda foi avaliada em R$36,5 milhões. Com a redução da qualidade do grão, o prejuízo dobra, disse a técnica do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura, Vera Zardo.
O trigo que está sendo colhido é do tipo intermediário e comum, cujo valor de mercado é inferior ao do tipo superior, que foi colhido na região Norte antes do período chuvoso. Com a diminuição da qualidade o preço mínimo caiu de R$157,00 a tonelada para R$136,00 para o tipo 2 e R$110,00 a tonelada para o tipo 3. A Seab acredita que os prejuízos são maiores, porque a chuva não pára e os técnicos têm dificuldade de fazer novos levantamentos. A cada dia de chuva aumenta o prejuízo com o trigo, informa a técnica.
Até na região Sul, onde não havia sido registrada quebra de produção, o início da colheita já apresenta uma queda de 2,6% na produção regional, com a perda de 5.083 toneladas. A região mais castigada é a Oeste que apresenta uma quebra de 33,5%. A expectativa de produção cai de 574243 toneladas para 381740 toneladas. A região Centro-Oeste apresenta uma quebra de produção de 21% e a Sudoeste, de 16,4%.
Outras culturas de inverno que tiveram bom desenvolvimento e apresentavam um potencial produtivo animador também foram atingidas pelo clima, frustrando as expectativas iniciais. Produtos como aveias branca e preta, cevada e triticale, terão menor produção em relação à previsão inicial. O triticale, cuja colheita deveria resultar em 130 mil toneladas, deverá ter uma perda de 11 mil toneladas, com um prejuízo de R$1,4 milhão.
A aveia branca, cujo plantio já era inferior à previsão, terá uma safra 9,6% menor do que a prevista, com redução de 7500 toneladas. O prejuízo previsto é de R$824 mil. A aveia preta tem índice semelhante de perda. Com a redução de 7.680 toneladas os produtores terão um prejuízo de R$768 mil.
PlantioNa safra de verão, a primeira cultura a sofrer com o excesso de chuvas é o feijão das águas. O plantio precoce na região Sudoeste já apresenta uma quebra de produção de 10%. Com isso o reflexo na produção estadual é de 1,4%, com a perda de 7000 toneladas. O prejuízo dos produtores é avaliado em R$5,7 milhões.


