As histórias em torno do ‘‘chupa-cabras’’, viraram chacota na boca dos criadores na região de Guarapuava, onde está concentrado o maior rebanho de ovinos do Estado (cerca de 75 mil cabeças). O ‘‘chupa-cabras’’, conforme foi noticiado inicialmente em toda imprensa, seria um novo predador de animais domésticos.
De acordo com o veterinário e presidente da Associação Paranaense de Criadores de Ovinos (Ovinopar), Acyr Loures Pacheco, os criadores estão acostumados a ‘‘conviver’’ com os predadores normais do rebanho e desconsideram ‘‘histórias’’ sobre aparecimento de um novo predador.
Os predadores mais sérios para os ovinos são o corvo e o carcará (carancho) que atacam os cordeiros, comendo os seus olhos e a língua. O próprio homem também é um sério predador, tanto que as criações próximas das regiões mais urbanizadas fica inviável. Os outros predadores são cachorros, pumas e o graxaim ou lobinho.
No caso de cães, Pacheco afirma que os ataques são mais frequentes na época do cio das cadelas. Os cachorros andam em bandos à procura de fêmeas e comida. O graxaim ataca mais os cordeiros recém-nascidos e o puma tem maior incidência no mês de agosto, provavelmente por ser época de reprodução. Não há como controlar o graxaim ou o puma, já que o Ibama não permite a caça destes animais. Uma alternativa seria fechar as ovelhas em local apropriado no perído da noite.
CuriosaPacheco garante que a afirmação de que ovelhas podem morrer só pelo estresse do ataque de outros animais não é verdadeira.‘‘Ela morre quando é muito machucada e há hemorragias.’’ E não é só a ovelha que é atacada pelos predadores mencionados por Pacheco. São vítimas também cabras, bezerros novos e outros animais.
A mortalidade é elevada no ataque de cachorros e pumas. A ovelha é curiosa. No momento do ataque, relata Pacheco, o bando se assusta e corre. Logo voltam para ver o que está acontecendo.
Quando vêem que há um cachorro ou outro bicho atacando, começam a bater as mãos (patas anteriores) para chamar a atenção, na tentativa de afugentar o predador. Só que acontece o contrário. Neste momento o cachorro ou outro predador larga a ovelha que está atacando, até mesmo ainda viva, e pega outra. O bando foge novamente e logo volta para ver o que está acontecendo. Daí as explicações para o fato de que algumas ovelhas atacadas tenham poucos ferimentos ou machucados.
Segundo o veterinário e criador de ovinos Ulisses Pollatti Schuhli, também supervisor regional do Núcleo da Secretaria do Abastecimento e da Agricultura do Paraná (Seab), em Guarapuava, outro predador comum naquela região é o ‘‘leãozinho-da-cara-suja’’ outro felino. ‘‘Criações próximas de matas são as mais prejudicadas, especialmente com ataques noturnos’’.
Quando a propriedade é pequena, aconselha Pollatti, o produtor pode evitar os ataques, mantendo os animais num galpão próprio para a criação, durante a noite. O custo do galpão, chamado também de redil, terá que ser avaliado pelo criador.
‘‘A ovelha é um animal para ser criado a campo’’, afirma. A construção de um galpão para proteção pode aumentar custos de criação e alterar a lucratividade esperada. De acordo com Pollatti, o criador com 100 ou mais animais, num plantel de reprodução, pode pensar na construção de um redil. Para plantéis comerciais e menores do que 100 cabeças os custos do galpão podem inviabilizar o rendimento da criação.
Pollati aconselha também, no caso de propriedades maiores, o uso de cães de guarda. ‘‘Bem alimentados e treinados desde pequenos para protegerem as ovelhas, têm uma convivência amigável com os ovinos’’, afirma.

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