Preços sem reajuste e mais gastos com a ferrugem

Em Londrina, a área colhida de café já atingiu em torno de 10%. No total, são 2.967 hectares produtivos, o que deve resultar 4,3 mil toneladas e uma produtividade média de 24 sacas por hectare, duas sacas a mais por hectare comparado ao ano passado, de acordo com o Deral.
O engenheiro agrônomo da Emater, Romeu Gair, acompanha 31 produtores de forma sistemática na cidade, pelo "Projeto Piloto do Café". Ele relata que a seca acabou acelerando a colheita das variedades mais precoces. "De certa forma, a colheita acaba até ficando melhor devido à seca, porque se torna mais eficiente. Eu acredito que a perda é pequena porque quando a seca iniciou os frutos já estavam praticamente formados. Talvez teremos uma perda de 5%, e em alguns lugares de 10%."
A projeção mais preocupante pode ficar para a safra do ano que vem, reflexo da seca recente. "Talvez ainda esteja cedo para se preocupar com isso, mas as lavouras que ficaram carregadas este ano com certeza terão uma resposta negativa no ano que vem. Já as lavouras com carga baixa vão sofrer menos com o efeito da seca (em 2019)."
Um ponto curioso aqui na região foi que a pressão da ferrugem está elevada, mesmo com a umidade baixa. "Quem fazia duas aplicações para o controle da ferrugem esse ano fez três aplicações com fungicidas. Havia muito inóculo da doença no ambiente antes da seca. A colheita deve intensificar-se no mês que vem e não sabemos como será o comportamento da chuva."
Entre as variedades que se destacam na região, Gair explica que muitos pés da Mundo Novo foram erradicados devido a problemas com nematoides, e agora um dos mais utilizados é o IPR 100, do Iapar, desenvolvido justamente para combater os parasitas. "Essa variedade tem atendido bem, é muito boa, além disso se mostra tolerante e resistente à seca. É bem promissora", complementa.
Em relação à comercialização, Gair calcula que o custo para a produção de uma saca de café está girando em torno de R$ 280 a R$ 300, principalmente para quem paga para colher, como é o caso de muitos produtores que não contam com mão de obra familiar. A mecanização ainda é um sonho distante para muitos. "Não se espera uma variação diferente de R$ 380 a R$ 400/sc (para o cafeicultor). Por isso é importante uma colheita bem feita, prevendo qualidade."
Em relação ao "Projeto Piloto do Café", Gair relata que os cafeicultores recebem assistência sistemática - três a quatro visitas por ano - sendo em cada época uma orientação. "Esta assistência efetiva é sempre importante porque muitas vezes eles deixam uma prática (agronômica) para trás porque não lembram ou ninguém estimulou. Com o técnico presente, eles seguem com mais facilidade as tecnologias preconizadas. Por exemplo, acaba adubando mais devido a essa intervenção. Muitas vezes, eles ficam inseguros para fazer um investimento de adubação, principalmente." (V.L.)





