Preços para toras de maior diâmetro crescem no Estado
É simples entender por que o mercado de toras voltadas para papel e celulose está com os preços mais baixos, desfavorecendo os pequenos e médios produtores de florestas. No Paraná, há dezenas de indústrias fortes neste setor, sendo autossuficientes em produção. Se o produtor está vinculado a esses players numa espécie de fomento eles acabam acatando os preços ditados no contrato. Caso o produtor não esteja ligado diretamente com a indústria, conquistar bons valores nessa madeira é difícil, já que as áreas de plantio e a oferta são muito grandes.
De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), o preço de comercialização de lenha, tipo pinus, na qual o produtor vende sua floresta "em pé", fechou o último levantamento trimestral em R$ 22,23 o m³, alta de 5%. No caso das toras de pinus "em pé", diâmetro de 18 cm a 25 cm (papel e celulose), foram comercializadas, em média, a R$ 63,46 o m³, com retração de 3%.
Em contrapartida, para as toras de maior diâmetro, voltadas para as laminadoras e serrarias, os valores conquistados são bem mais interessantes ao produtor. É claro que os gastos com manejo, como o caso do desbaste, são maiores, já que as árvores ficam na floresta por um maior período, entre 16 e 20 anos. As toras de pinus na serraria, de diâmetro acima de 35 cm, foram vendidas a R$ 146,89 o m³. Para laminadoras, o pinus acima de 35 cm fechou em 102,65 o m³, alta de 4%.
"O produtor precisa apostar nesse cenário de toras de maior diâmetro e deixar as árvores plantadas por mais tempo. Além disso, é interessante que eles criem pequenas associações ou cooperativas para que possam comprar sua própria serraria móvel e vender a madeira serrada ao invés de bruta, o que gera maior valor agregado", explica a engenheira florestal do Deral, Roseane Dorneles.
Um metro cúbico de madeira serrada de pinus, por exemplo, foi comercializado no Estado, conforme o último levantamento do Deral, por R$ 434,76, com alta de 3%. "O ideal é o produtor fazer esse primeiro corte, em forma de madeira serrada. Assim ele diversifica sua produção, comercializa de diversas formas e não fica refém das empresas que ditam os preços como bem entendem. Boa parte dos agricultores de florestas ainda vendem seu produto 'em pé', bruto, porque há custos para fazer o corte, o transporte, além da mão de obra escassa. O fato é que quanto mais distante o produtor ficar do preço bruto, mais retorno ele terá no final do processo", complementa a engenheira florestal. (V.L.)





