Um produtor investe em torno de 15 sacas de soja por hectare em agroquímicos. Da mesma forma que o preço da oleaginosa sobe com a alta do dólar, o valor dos defensivos segue o mesmo ritmo, porque muitos deles são importados. A preocupação, entretanto, é que se houver uma retração repentina nos preços da oleaginosa, o preço dos defensivos e insumos não deve diminuir na mesma proporção. Segundo dados do Sistema de Monitoramento do Comércio e Uso de Agrotóxico (Siagro), da Agência de Defesa Agropecuária (Adapar), são aplicados em torno de 65 mil toneladas de agrotóxicos por safra de soja produzida no Estado.
O pesquisador na área de transferência de tecnologia da Embrapa Soja Osmar Conte salienta que se o produtor continuar gastando com defensivos e insumos desta forma, logo ele terá que repensar a atividade. "Se a saca de soja, por exemplo, cair de R$ 10 a R$ 15, muitos sojicultores podem não se sustentar na atividade. Há um achatamento da margem de lucro e o resultado líquido da lavoura fica menor. Desta forma, eles terão que fazer readequações na lavoura, investir menos neste tipo de produto, para que o resultado continue sendo lucrativo."
Para Conte, muitos produtores ainda acreditam que a produtividade da lavoura está apenas ligada ao investimento neste tipo de produto, deixando outros tipos de trabalho escanteados, como o Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD). "Muitos ainda desconhecem o MIPD, inclusive técnicos e agrônomos. Outro ponto é que boa parte dos produtores ainda compra a ideia que só é possível ser eficiente investindo em agroquímicos. Aliás, as vendas ainda estão muito atreladas às cooperativas e às revendas."
Pensando no futuro do agronegócio, não custa lembrar aos produtores que os prejuízos podem ser enormes. A consequência mais grave, segundo o pesquisador, é o advento de resistência em plantas daninhas, insetos e doenças. Inclusive, no caso da ferrugem, os fungicidas estão perdendo muita eficiência safra a safra. "O surgimento de novas moléculas não evolui na mesma velocidade que a resistência. O futuro é bastante incerto e não é possível mensurar os prejuízos com a perda de eficiência de algumas moléculas que hoje estão disponíveis no mercado."
O professor Carlos Hugo Rocha, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), explica que essa resistência faz com que muitas vezes os produtores aumentem o consumo de agrotóxicos, aplicando mais vezes em cada área para ter a eficiência que em outras safras obtinha com menos aplicações. "Dependendo da forma que é usado, mata-se também os inimigos naturais das pragas, aliados que ajudariam no controle. Sem esses aliados, a próxima safra se torna ainda mais vulnerável, reforçando ainda mais a necessidade de aplicação de agroquímicos." (V.L.)

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