Preços desestimulam o leite
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sábado, 29 de novembro de 2003
Reportagem Local 
Brasília - O Brasil deve fechar o ano com uma produção de 21,3 bilhões de litros de leite, crescimento de 900 milhões de litros na comparação com os 20,4 bilhões de litros produzidos no ano passado. A produção a ser registrada este ano é a maior desde o início da década de 90, mas ainda assim insuficiente para atender o consumo interno, estimado em 22 bilhões de litros anuais.
Mesmo havendo espaço para a ampliação da oferta, há o risco de a produção de leite no Brasil cair já no próximo ano, devido ao desestímulo dado aos pecuaristas do setor, que estão enfrentando dificuldades para cobrir fortes aumentos dos custos de produção e recebendo baixos valores na hora de vender seu produto para a indústria.
O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite (CNPL) da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, alerta que entre novembro de 2002 e outubro deste ano, os preços médios nacionais pagos pela indústria foram reajustados em 12,12%, enquanto que no mesmo período a ração ficou 24,8% mais cara, e o adubo subiu 16,12%.
Adubo e ração representam 44,5% do custo variável da pecuária de leite. Apesar de o produtor estar enfrentando queda de renda, devido ao aumento dos insumos e dos baixos preços pagos pela indústria, essa tendência não está sendo repassada ao consumidor final, alerta Alvim.
Nos últimos 12 meses, considerando período encerrado em outubro, os preços médios do leite cobrados no varejos subiram 17,24%; enquanto que o preço pago ao pecuarista de leite aumentou pouco mais de 12%.
Em Goiás, entre novembro de 2002 e outubro deste ano, o preço pago ao produtor foi reajustado em 9,99%; enquanto que o valor do leite no varejo subiu 13,79%.
Em Minas Gerais, em igual período, os preços pagos ao setor primário subiram 11,67%; enquanto que no varejo a alta foi de 14,74%. Dados referentes a Pernambuco indicam que nos últimos 12 meses, os preços pagos ao produtor subiram 11,47%; enquanto que no varejo a elevação paga pelo consumidor foi de 19,13%. Dados sobre evolução do preço do leite - recebido pelo produtor - pouco evoluiram nos Estados do Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul. Na média acompanharam a evolução dos custos, mas os itens mais usados em insumos e medicamentos evoluíram acima da correção do preço na ponta do produtor.
O cenário atual gera desestímulo à produção de leite, afirma Alvim, podendo levar à retração da oferta dentro de curto prazo, aumentando a dependência que o Brasil tem das importações para suprir a demanda interna.
Alvim explica que o Brasil consegue produzir uma tonelada de leite em pó integral por US$ 1,7 mil, enquanto que o mesmo produto, oriundo da Argentina, custa US$ 2,3 mil. Depender de importações, portanto, significa gastar divisas e impedir o crescimento de um setor que apresenta competitividade internacional.


