Preços de referência do leite
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de maio de 2003
Cláudia Barberato<BR>Reportagem Local 
O Conseleite divulgou na semana passada o novo preço referência para o leite no Paraná, em abril, e a projeção para maio. O leite padrão, em abril, vale R$ 0,4362. O valor da matéria-prima para o leite padrão acima do maior valor de referência ficou em R$ 0,5016 e R$ 0,3965 para o produto classificado como abaixo do padrão.
A projeção dos técnicos para maio indicam os seguintes valores: R$ 0,4468 para o leite padrão; R$ 0,5138 para o leite acima do padrão e R$ 0,4062 para a matéria-prima classificada como abaixo do padrão, sendo o menor valor do preço referência.
O Conseleite é formado por 22 representantes dos produtores e indústrias da cadeia produtiva do leite e desde janeiro tem divulgado o preço referência para a comercialização do produto no Paraná. Desde o início da divulgação do preço referência, de acordo com o presidente do Conseleite, Ronei Volpi, é possível verificar uma evolução nas cotações do produto no Paraná.
De setembro de 2002, quando os técnicos já iniciaram a formação de preços, embora ela só tenha sido divulgada a partir de janeiro deste ano, a curva de varição tem sido progressiva. Para o leite padrão a cotação foi R$ 0,3956 em janeiro, R$ 0,4062 em fevereiro, R$ 0,4173 em março e R$ 0,4362 em abril.
A metodologia para cálculo dos valores leva em consideração os preços médios do mix de comercialização do mês de 14 produtos vendidos pelas empresas, mais custo de produção e de industrialização da matéria-prima. O referência representa o valor real que cada indústria pode pagar pela matéria-prima de acordo com seus custos e vendas de derivados.
Entressafra - Neste período de início de entressafra a expectativa é que as cotações cresçam um pouco mais não só para produtores, mas também consumidores. Historicamente a produção cai no inverno e, com menor oferta, a tendência é de preços maiores. Além da menor produção de leite neste período, o setor trabalha com o prejuízo adicional do outono, extremamente seco, impossibilitando, em algumas regiões, o plantio de pastagens de inverno. Essas pastagens poderiam servir de alimento complementar ao rebanho e garantir senão um equilíbrio pelo menos evitar grandes quedas na produção.
Mesmo aqueles produtores que plantaram culturas destinadas a alimentação no período seco, como a aveia por exemplo, segundo o presidente do Conseleite Ronei Volpi, têm atualmente suas lavouras com baixo desenvolvimento em função da ausência de chuva.
A atividade também convive com a alta pressão nos custos de produção para quem precisa de insumos cotados em dólar, como milho e soja, equipamentos, medicamentos, entre outros.
Clima, custos, sazonalidade da atividade refletem agora na redução do volume de leite comercializado. Este ano, desde março, foi registrada uma redução de 15% no volume, que se manteve mais ou menos igual em abril, mês de transição entre o verão e o inverno. Mas, passado o cenário comum na entressafra, no balanço final a perspectiva é que 2003 seja um ano estável para a atividade, com expectativa que a pressão de custos de produção se amenize em função da caída ou da estabilidade do dólar em relação ao real.
O cenário, adverte Ronei Volpi, exige um remodelamento da produção leiteira. O produtor, segundo ele, deve gerenciar dentro das suas possibilidades, para aderir a um sistema de produção sem dependências externas da propriedade. Uma solução é voltar seus sistema de produção para o leite a pasto e, além disso, planejar a produção de alimentos como silagem e feno, para servir nos períodos em que a pastagem não tem volume suficiente para manter a produção do gado. ''A dependência externa faz com que a competitividade do setor fique atingível,'' afirma Volpi


