Preços da soja abaixo da média histórica
Nem tudo fechou no vermelho em 2003. Houve recuperação dos preços internacionais das principais commodities na esteira dos problemas na safra norte-americana e do aumento da demanda mundial. Lucro certo para produtores de soja altamente tecnificados e com dinheiro reservado para fixar cronograma de comercialização, tirando proveito das altas na Bolsa de Chicago.
A economista Gilda M. Bozza, da Faep e responsável pelo estudo do comportamento dos preços agrícolas ano passado, observa que a soja precisa ser melhor analisada. De 1998 a 2002, os estoques mundiais altos derrubaram os preços. A última safra com preços elevados aconteceu em 1996/97. Os preços nos últimos cinco anos situaram-se abaixo da média histórica de US$ 6,00/bushel (equivalente a US$ 13,23/saca).
O preço médio recebido em 2003 pelos produtores paranaenses foi de R$ 37,43/saca de 60 kg. Alta de 25% em relação à média de 2002. No entorno, cotação média de R$ 29,99/saca de 60 kg. A média brasileira em 2003 foi de R$ 38,07/saca de 60 kg - 22% superior à média de 2002, o qual alcançou no geral R$ 31,26/saca de 60 kg.
Segundo Bozza, os custos de produção da soja também apresentaram aumentos significativos, com majoração de preços dos principais insumos. O custo de produção em 2003 foi de R$ 30,83/saca, conforme dados da Ocepar. Aumento de 49% em relação ao custo de produção da safra 2001/02, estimado em R$ 20,68/saca de 60 kg.
Em dólares, o preço médio anual em termos de Brasil foi de US$ 12,45/saca de 60 kg, cerca de 19% superior ao preço médio registrado em 2002, de US$ 10.46/saca de 60 kg. Detalhe: o preço em dólar foi maior que a média histórica dos últimos 10 anos, estimada em US$ 11,58/saca de 60 kg. ôA soja tem um importante papel no mercado, atuando como âncora em tempos de volatilidade cambial," observa a economista da Federação da Agricultura do Paraná.
De todas as culturas, a margem de lucratividade bruta da soja (relação entre a receita obtida e o custo de produção) é compensatória considerando o preço médio anual considerando-se a taxa histórica de remuneração na agricultura de 8%.





