Quando se analisa os valores de comercialização de soja entre 2017 e 2018, o que se repara é que eles estão distantes da casa dos R$ 70 que o produtor está procurando. Entretanto, esse momento de inconstância em relação à colheita deve manter os preços sustentados pelo menos por mais algumas semanas, quando os volumes começam a engrenar de vez.

Entre outubro do ano passado até janeiro, os valores da saca ficaram entre R$ 60 e R$ 63 no Paraná. Agora, em meados de fevereiro, já atinge a casa dos R$ 65. A média do ano passado fechou em R$ 60,35. Em 2016, o valor final foi de R$ 69,59. Se houve uma retração no período, por outro lado os custos continuaram a subir. Na ponta do lápis, menos rentabilidade para o produtor.

O zootecnista e analista da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro, relata que essas incertezas em relação à colheita devem seguir até semana que vem, principalmente devido à chuva, o que no curto prazo traz um pouco de sustentação ao mercado. "Isso acontece até que a colheita ganhe força. Aí sim existe espaço para queda (nos preços), com maior volume do produto no mercado brasileiro."

Imagem ilustrativa da imagem Preços da saca mantidos por mais algumas semanas



Ribeiro cita que – na movimentação natural de safra – o ponto de pressão baixista para os valores acontece ainda mais entre março e abril. "Temos também a questão do dólar e como isso vai caminhar nos próximos meses. Tivemos uma queda do câmbio no começo do ano."

Ele também relata que a primeira estimativa da safra norte-americana deve ser divulgada agora em março. A previsão, segundo o analista, é que a área de soja deva crescer em relação à de milho. "Além disso, aqui no Brasil tivemos uma revisão para cima da produtividade. Deveremos atingir entre 110 a 111 milhões de toneladas, só abaixo do ano passado. Historicamente é um bom volume. A expectativa é que logo teremos uma deslanchada (na colheita)." (V.L)

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