A previsão é de boa produção, mas o mercado não está garantindo preçosMercado parado e preços baixos preocupam os produtores de algodão que estão iniciando a colheita em todo o Paraná. Dos 120 mil hectares plantados, apenas 4% estão colhidos, e a comercialização não está tendo a fluidez esperada para o início da safra.
Segundo o gerente técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa, os preços devem se manter entre R$7,20 e R$7,30, mas a dificuldade será encontrar comprador. ‘‘As atividades do setor algodoeiro estão devagar, com produção reduzida’’, diz Costa. Na análise do técnico, outro fator que está interferindo é a oferta do produto da Argentina e Paraguai.
O técnico da área de comercialização da Cooperativa Agropecuária de Campo Mourão (Coamo), Aquiles Fabrete, diz que o algodão em caroço ainda está sem preço. A venda para as indústrias têxteis está apenas no início, e elas pagam R$0,76 por libra/peso do algodão em pluma. A avaliação de Fabrete é que a queda dos preços reflete o mercado internacional - os estoques mundiais são altos, existe excesso de produção e os países asiáticos reduziram as compras.
TeimosoO produtor Carolino Pequeno Alves diz que, apesar do preço, vai continuar plantando algodão
Pouca pragaO desenvolvimento das lavouras no Estado foi bom, de maneira geral, por isto não deverão ocorrer perdas por doenças e pragas. Houve alguns problemas localizados, por causa de estiagem em janeiro.
Em algumas lavouras, como na região de Cornélio Procópio que plantou 4 mil hectares, o excesso de chuva em fevereiro, no período de maturação, prejudicou a qualidade e a produtividade. O agrônomo da Emater, Cilésio Abel Demoner, diz que a expectativa inicial de colher 125 arrobas/ha deve ser reduzida para l00 arrobas/ha.
‘‘Com exceção da doença ‘vermelhão’ que atacou algumas lavouras na região, não tivemos maiores problemas com doenças este ano, e o bicudo foi bem controlado’’, comenta Cilésio. De acordo com informações da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), os problemas de doenças em todo o Estado foram insiginificantes. A ocorrência do mosáico-das-nervuras, que atacou variedades americanas, foi um problema localizado.
Mário CesarA produvidade e a qualidade sofreram nos locais onde as chuvas foram mais intensas
ProdutividadeA produtividade média esperada no Estado é de 1.593 quilos/ha (106,20 arrobas), podendo atingir 1.850 quilos/ha (123,3 arrobas) em algumas lavouras, segundo informação do agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, Maurício Tadeu Lunardon. ‘‘Normalmente o primeiro algodão colhido tem uma produtividade menor, e até a agora, pelas informações recebidas pelos núcleos regionais, a Seab não estima perdas na cultura’’. comenta Lunardon.
O consumo brasileiro de algodão em pluma hoje está entre 800 e 850 mil toneladas, das quais mais da metade vem de fora. Na safra 96/97 o Brasil produziu 305,7 mil toneladas e a importação chegou a 460 mil toneladas. ‘‘Para esta safra, com a previsão de 516 mil toneladas, a importação deve ser reduzida para 350 mil toneladas de algodão em pluma’’, avalia Nelson Costa.
Carolino Pequeno Alves, tradicional cotonicultor de Jaguapitã, cultiva duas áreas, uma com 24 ha e outra com 48 ha. Em doze dias de chuva as lavouras de Carolino perderam, entre quantidade e qualidade, 55%, caindo do tipo 6 para 7-8, além da quebra física. Só no tipo a quebra chegou a 30% ‘‘Colhendo na mão o tipo cai demais. Meu primeiro algodão vendido (em Santa Fé) deu tipos 7-8, com 18% de impurezas. O algodão colhido a máquina tem zero de impureza e alcança tipo 6’’, afirma Carolino, que no ano passado paticipou de dia-de-campo sobre colheita mecanizada, e gostou do resultado.
Em algumas lavouras o produtor deu preferência para a colheita mecânica
No começo da semana, o produtor estava com 180-200 pessoas colhendo e pagava mais para o algodão limpo: R$1,20 a arroba. Pelo algodão com impureza, pagava R$0,90 - outros produtores pagam neste caso R$0,80. Carolino cultiva a variedade Coodetec 401, que considera ‘‘um dos melhores algodões’’. ‘‘No controle do bicudo, por exemplo, tem eficiência de 95%, devido à florada uniforme’’, observa.
Como a maioria dos produtores, Carolino reclama dos preços, mas mesmo assim, diz que vai continuar plantando algodão, porque espera a aplicação de um prometido apoio governamental à cotonicultura, como o financiamento para os maquinistas comprarem o produto.

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