Preços & mercado internacional
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de fevereiro de 1997
Gilda Bozza Borges 
O mercado internacional influenciou positivamente no desempenho da agricultura em 1996, quando os preços dos grãos atingiram o recorde dos últimos 119 anos na Bolsa de Chicago. Os produtos mais beneficiados com a alta nas cotações internacionais foram a soja, o milho e o trigo.
A soja foi a mais sensível às oscilações de preços internacionais, absorvendo o impacto das elevações. Durante todo o ano de 1996 ocorreram variações de acordo com painel de oferta e demanda nacional. O excesso de demanda internacional, aliado ao quadro de escassez da soja no mercado interno, e a reduzida relação estoque/produção constituiram variáveis que pressionaram os preços. As cotações da soja se mantiveram, em média, 67% superiores ao preço mínimo vigente de R$ 8,88 a saca de 60 quilos.
O carry-over mundial de soja, conforme o USDA, não deverá ultrapassar o nível de 16,1 milhões de toneladas e as atenções do mercado voltam-se para a situação na América Latina.
Os preços vigentes para o trigo, à época do plantio na safra passada; as previsões do USDA, de escassez mundial e estoques reduzidos, somados à política interna de estímulo ao plantio, conduziram o Brasil a expandir sua produção, numa perspectiva favorável à atividade.
A maior oferta mundial e a supersafra argentina de 16 milhões de toneladas provocaram queda nos preços internacionais, impactando fortemente os preços no mercado interno, exercendo pressão baixista. A tonelada, que chegou a ser comercializada a R$ 255,00 em junho, assinalou quedas sucessivas até atingir R$ 146,00 a tonelada, preço abaixo do preço mínimo de garantia. Entre agosto - início da colheita - e outubro, as cotações acumularam queda de 30%, passando de R$ 12,26 para R$ 8,64 a saca de 60 quilos.
O preço médio atual do trigo situou-se em R$ 11,85 a saca de 60 kg, correspondendo a R$ 197,50 a tonelada. O trigo nacional sofre a concorrência perversa do similar argentino, que tem vantagens tarifárias e prazo de pagamento de 180 a 360 dias.
O ano de 1996 não se mostrou favorável à cotonicultura nacional. O setor ainda se ressente de medidas de apoio e estabelecimento de salvaguardas para o produto nacional. O preço médio situou-se em R$ 7,31 a arroba, nível de preço considerado bom em decorrência de fatores como a baixa produção interna, estoques apertados e elevação do consumo de algodão em pluma.
A cotonicultura, além dos problemas estruturais - queda na produção, custos elevados e descapitalização, defronta-se com os efeitos para trás, os quais, em se tratando de cultura com utilização intensiva de mão-de-obra, mostra um cenário extremamente desalentador. O número de emprego no período 1991-1992 indicou decréscimo de 200 mil postos. As intenções de plantio para a próxima safra sinalizaram com redução da área plantada, em torno de 61%, caindo de 182.730 hectares para 70.700 hectares.
No caso do milho, os preços internos mostraram evolução, porém em ritmo mais lento. Os produtores, frente às sinalizações de escassez mundial e no mercado doméstico, passaram a reter o produto, exercendo pressão sobre os preços. A partir de novembro, verificaram-se quedas acentuadas nas cotações, desempenho atípico ao comportamento sazonal de entressafra. O preço médio anual situou-se em R$ 7,83 a saca de 60 kg, revelando-se 17% superior ao preço mínimo estabelecido de R$ 6,70 a saca de 60 kg.
O arroz apontou recuperação das cotações relativamente a 1995. O endividamento dos agricultores e as dificuldades na obtenção de crédito foram as principais determinantes para redução da área plantada no Estado. O feijão de cor indicou preço cerca de 46% acima do preço mínimo de garantia, propiciando aos produtores maior renda bruta.
A avicultura indicou menor taxa de crescimento, haja vista estar procurando ajustar-se às condições de mercado, mantendo a produção em nível constante e aumentando as exportações. A suinocultura experimentou períodos difíceis, acumulando prejuízos nos primeiros meses, em função dos elevados custos de produção face ao peso relativo do milho e da soja. O enxugamento do plantel, com redução dos estoques, aliado ao aumento da demanda sazonal de inverno, possibilitou recuperação de preços.
As cotações da arroba do boi gordo permaneceram, praticamente, as mesmas realizadas em 1995, significando um ano de baixa de preços, com margens de lucratividade menores. O preço médio anual situou-se em R$ 22,16 a arroba.
O Paraná vem perdendo vantagens competitivas e mercado nas diferentes etapas da cadeia produtivas da pecuária de corte, além de sofrer a concorrência do Mercosul para o boi em pé e carnes.
A autora é economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).


