Precocidade e resistência a doenças são tendência
Anos de desenvolvimento em pesquisas de melhoramento genético já conseguiram levar para o campo cultivares de soja de alta tecnologia, mais resistentes e mais produtivas. E a tendência é desenvolver variedades precoces e estáveis. A Embrapa Soja, com sede em Londrina e referência em pesquisas da oleaginosa, já desenvolveu mais de 250 cultivares nas últimas décadas.
Entre os destaques, no mercado, estão a BRS 283 e a BRS 284, lançadas em 2008. Ambas têm como características o ciclo menor, entre 114 e 119 dias, e são mais precoces, ou seja, podem ser plantadas mais cedo. Desde a ocorrência da ferrugem asiática, os produtores têm preferido cultivares com ciclo menor, explica Carlos Arrabal Arias, pesquisador da Embrapa e líder do Programa de Desenvolvimento de Cultivares de Soja, da Empresa. Outra cultivar de destaque é a BRS 282, a qual tem resistência ao nematóide de galha micro-organismos que atacam as raízes. A cultivar Embrapa 48 é considerada uma das mais especiais, já que está há mais de 20 anos no mercado. Ela se adaptou bem ao nosso solo, ressalta Arias. A variedade tem forte estabilidade de produção, mesmo em clima adverso.
Ele explica que antes de uma cultivar ser colocada em escala comercial, passa por inúmeros ensaios e só é disponibilizada aos agricultores quando consegue produzir mais que a média durante três anos seguidos. A média brasileira, segundo ele, é de 3 mil quilos por hectare. Durante os ensaios, algumas variedades atuais conseguiram alcançar médias de 4,5 mil quilos/ha. No Paraná, nas áreas cultivadas com sementes da Embrapa, o rendimento médio nesta temporada deverá ultrapassar os 3 mil quilos/ha. No Estado e no Brasil, a Embrapa é responsável por cerca de 25% do mercado, sendo metade de cultivares convencionais e outra metade de transgênicas.
Materiais transgênicos
No caso de materiais transgênicos, a Embrapa desenvolve cultivares desde a década de 1990. Com a soja RR, as novas variedades adquiriram maior resistência a herbicidas, o que ajuda a controlar o mato na propriedade e a outras doenças radiculares, como a fitóftora. Um dos destaques no Paraná é a BRS 255 RR, com ciclo médio de 123 dias e de alto rendimento. O forte dessa variedade é o rendimento, principalmente em regiões mais quentes, conta Arias.
Em pré-lançamento, a Embrapa tem a cultivar BRS 316: de semeadura precoce e ciclo próximo de 120 dias, que pode ajudar a controlar a ferrugem. A BRS 316 RR também poderá entrar no mercado na próxima safra e tem como característica o ciclo precoce de 120 dias. Conforme Arias, ciclo e semeadura precoces ajudam a controlar a ferrugem, pois a cultura escapa do auge da doença. Encurtar o tempo e melhorar o rendimento e qualidade do produto são as tendências, segundo o pesquisador, porém com limites. É preciso trabalhar a redução de ciclos, sem perdas de rendimento. Ciclo muito curto, por exemplo, pode ser prejudicado se ocorrer veranico, pontua Arias. Os especialistas recomendam aos produtores plantarem variedades com semeaduras e ciclos diferentes para minimizar possíveis perdas.
Marcelo da Costa Rodrigues, engenheiro agrônomo da Cooperativa Central de Pesquisa Agropecuária (Coodetec), localizada em Cascavel, acrescenta que a tendência das pesquisas é reduzir o ciclo da cultura, mas elevando a produtividade e aumentando a estabilidade. Entre as cultivares que estão em fase de demonstração pelo Estado e que poderão entrar em escala comercial na safra 2010/11 está a CD 236 RR. O material se caracteriza pelo ciclo precoce, de 115 dias, resistente aos nematóides de galha, de alto rendimento e que produz grãos maiores e mais pesados do que a média. A Coodetec é líder de mercado e responde por 40% da área plantada no Paraná. No Brasil, possui cerca de 18% do mercado.
A amplitude de semeadura também é um dos destaques das variedades da empresa. Atualmente, uma das cultivares mais importantes e que está no mercado é a CD 202. O material tem ciclo curto, de 120 dias, e pode ser semeada desde o final de setembro até final de novembro. Conforme Rodrigues, o ponto forte da variedade é a segurança de rendimentos por suportar oscilações climáticas. Na opinião dele, os maiores desafios das empresas de pesquisa são o desenvolvimento de cultivares resistentes a algumas doenças como a ferrugem asiática, macrofomina e mofo branco. (E.Z.)





