Toda essa situação de precipitações fora de hora fez com que o café de qualidade, bebida dura, acabasse ganhando um fôlego de preços em todo o País. Em outra perspectiva, as corretoras que trabalham com o produto apontam que não há estoque do grão. Vale dizer que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não divulgou até agora como está o volume dos estoques privados brasileiros de café, o que influencia direto no mercado.

Como principal produtor e segundo maior consumidor, o Brasil continua ditando os valores das cotações nas bolsas internacionais. Em Nova Iorque, as cotações têm reagido às notícias de chuva e queda de qualidade do grão nacional e estão trabalhando em alta. De acordo com uma das principais corretoras do País, o Escritório Carvalhaes, em Santos, "os contratos de café com vencimento em julho próximo na ICE Futures US acumularam alta de 580 pontos na semana. No mercado físico brasileiro os preços melhoraram, mas parte da alta em reais foi prejudicada pela queda da cotação do dólar frente ao real".

O sócio diretor da corretora, Eduardo Carvalhaes Junior, conversou com a FOLHA e explica que já é certo que no decorrer deste mês não haverá lotes de café da nova safra em bom volume no mercado. Quanto aos estragos na qualidade da safra 2016, ele comenta que só mais à frente, no final da colheita, será possível saber exatamente o resultado disso. "A previsão da safra 2016 era de bom volume e de melhor qualidade, o que acabou se frustrando. O que acontecerá daqui pra frente é uma interrogação, até porque temos que saber se a geada de fato atrapalhou a produção nesta semana", explica ele.

Para que o mercado se mantenha aquecido, Carvalhaes relata que o segredo é que a safra seja escoada ao longo dos 12 meses. "Mesmo com toda essa situação climática, acreditamos que a safra irá se manter acima de 50 milhões de sacas no País", projeta o especialista.

Paraná
No Estado, não há dúvidas de que os valores do café beneficiado bebida dura estão mais aquecidos frente ao ano passado. Em maio, a saca de 60 quilos tipo 6 fechou com média de comercialização de R$ 398, contra R$ 368 no mesmo período do ano passado, uma alta de 8,1%. Neste mês, com as chuvas ainda intensas nos primeiros dias, o valor ultrapassou com sobras a casa dos R$ 450.

Em Londrina, a Bourbon Corretora está pagando entre R$ 460 e R$ 470 a saca de bebida dura da nova safra. Já o café de pior qualidade, a saca está na faixa de R$ 390. "Até o começo de maio, estávamos recebendo um bom volume de cafés de melhor qualidade. Da metade do mês passado para cá, a situação mudou devido às chuvas e o café de pior qualidade começou a chegar em mais quantidade", explica João Vitor Vieira Silva, que trabalha como auxiliar na corretora.
Para Silva, a tendência é de que os preços continuem subindo, porque a partir de agora é bem provável que o recebimento seja de um "grão beneficiado de pior qualidade".

mockup