Os produtores de gengibre de Morretes, no litoral do Paraná, não têm perspectivas de pagar a primeira parcela da securitização das dívidas que vencem em outubro. Na atual safra que está encerrando em outubro, o produtor não conseguiu atingir o preço esperado que era de US$ 1, o quilo e as dívidas se agravaram. No máximo que conseguiram foi comercializar a produção por US$ 0,75 o quilo.
O argumento utilizado pelos intermediários que compram e exportam a produção para a derrubada dos preços da gengibre foi a concorrência da produção de países como Haiti e Nova Zelânia. O que falta é uma associação dos produtores forte para questionar os preços pagos pelos exportadores, afirmou o engenheiro agrônomo Oswaldo Alves de Oliveira, extensionista da Emater-PR. A maior dificuldade para escoar a produção é que a produção nacional de gengibre é dirigida para o mercado externo e os produtores não têm acesso a informações de mercado e acabam entregando a produção pelo preço que os intermediários impoõem, já que o gengibre é pouco consumido no mercado interno, acrescentou.
Os maiores compradores são os países árabes, Estados Unidos, Canadá e Inglaterra que compram o produto para fabricação de condimentos e produtos farmacêuticos.
No município de Morretes, cerca de 85 pequenos produtores são responsáveis por 50% da produção nacional de gengibre, com o plantio de uma área estimada em 150 hectares. A cultura é favorecida pelo clima quente e úmido e o solo arenoargiloso, explicou o técnico. A previsão para esse ano era colher 3 mil toneladas do produto mas a incidência de doenças fúngicas reduziu a safra em 30%, informou Oliveira. Como a cultura tem o ciclo anual a colheita e o plantio é feito na mesma época, observando a rotação de culturas muito utilizada no sistema de cultivo do gengibre. Portanto para a safra que está sendo plantada, prevê-se outra safra de 3 mil toneladas, se ela não for afetada por ocorrências climáticas como aconteceram esse ano.
Para Oliveira, só vai conseguir rentabilidade com a produção de gengibre quem conseguir produtividade acima de 25.000 quilos por hectare. Abaixo disso dificilmente ele vai conseguir superar a sequência de prejuízos que vem sofrendo em função de excesso de chuvas.

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