Fotos: Mário CesarColheitaAs lavouras já estão no ponto de colheita nas principais áreas produtorasEstimulados pelos bons preços praticados no ano passado, produtores devem aumentar a área cultivada no Paraná, passando de 115 para 150 mil hectares (ha). A informação é do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Segundo o economista Methódio Groxko, a mandioca é uma cultura importante no Estado, porque é uma das poucas alternativas que ainda absorve mão-de-obra no campo e gera emprego nas farinheiras e fecularias.
No Paraná existem atualmente 200 farinheiras, que produzem em média 240 mil toneladas, e 38 fecularias produzindo 150 mil toneladas de fécula. Tanto as indústrias como as lavouras estão concentradas nas regiões de Paranavaí, Campo Mourão, Umuarama, Toledo, e começam também a se desenvolver na Região Sudoeste do Estado.
Segundo Groxko, a produtividade do Estado é uma das maiores do Brasil, alcançando em média 22 mil kg/ha, enquanto a média nacional fica entre 12 e 13 mil kg/ha. Dos dois subprodutos, farinha e fécula, a demanda do mercado tem sido maior para fécula, que é matéria-prima para um número maior de outros produtos industrializados.
A fécula da mandioca tem mercado mais atrativo devido a ampla possibilidade de uso
CultivoPlanta rústica, que se adapta em solos de média fertilidade, suportando bem variações climáticas e até períodos de estiagem, a mandioca deve ser plantada no período que vai de maio a agosto. Na região de Paranavaí, onde ocupa uma das maiores áreas no Estado, com 32 mil ha plantados no ano passado, a cultura se concentra na mão de arrendatários, em áreas de 50 a 100 ha.
Segundo o extensionista da Emater local de Paranavaí, Antônio Souza dos Santos, a mandioca é rentável para quem tem boa produtividade. Na região, a cultura tem sido cultivada em áreas de reforma de pasto, e atinge uma produtividade média de 21 mil kg/ha.
A estimativa para o plantio deste ano é de aumento de 10% sa área, em função dos preços. Segundo Souza, o aumento dos preços da mandioca no ano passado foi causado pelos preços do milho e pela baixa disponibilidade de raízes. ‘‘A procura maior tem sido por fécula, e atualmente somente as fecularias da região estão produzindo. As 80 farinheiras estão paralisadas no momento, e as 11 fecularias em plena atividade’’, informa Souza.
Mesmo sendo uma planta rústica, a mandioca exige cuidados para dar boa produtividade
Com relação ao custo de produção, Souza comenta que é relativo. E como a mandioca é uma cultura nômade, vai depender muito das condições da área onde será instalada. As variedades mais plantadas são fibra, espeto e olho junto, entre outras. A maior área é de mandioca brava, destinada à industrialização.
Na região, ainda não está implantado o sistema de integração com as indústrias, mas segundo Souza, a tendência é que num futuro bem próximo isto aconteça.
ManejoApesar de ser planta rústica, a mandioca necessita de cuidados básicos para alcançar boa produtividade. A primeira recomendação, segundo Souza, é a escolha do material de plantio. ‘‘Uma boa seleção de manivas é fundamental, pois elas são responsáveis pel contaminação e desenvolvimento de doenças’’, comenta.
A lavoura exige pelo menos quatro capinas anuais, para mantê-la livre do mato. E o controle de pragas é mais eficiente se for feito logo de início, Para isso, são necessárias vistorias semanais para controle das lagartas.
A época de colheita é definida em função de dois fatores: preços e teor de amido. As melhores épocas para colher são de maio a agôsto e de setembro a março. Souza explica que no período de repouso da planta, que vai de maio a agôsto, as raízes tem maior teor de amido, que satisfaz as necessidades da indústria. No outro período o teor é um pouco menor, mas mesmo assim satisfatório. O produtor também tem a alternativa de esperar por preços rentáveis, pois a mandioca pode ficar mais tempo no solo sem oferecer riscos.
O aumento de área previsto não preocupa os produtores, pois deve equilibrar a demanda. A mandioca é uma cultura que alterna ciclos de preços altos e baixos, e às vezes, produtores que não são tradicionais na cultura iniciam o plantio na alta e quando vão colher o preço está em baixa. Souza alerta que um crescimento muito grande pode acabar prejudicando todos.

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