Preço em alta aquece mercado do café
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sexta-feira, 27 de maio de 2005
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
O cálculo é simples: menor oferta é igual a preços mais altos e maiores perspectivas de rendimentos para os agricultores. Devido a essa situação os produtores de café puderam comemorar mais aliviados o Dia Nacional do Café, ocorrido na última terça-feira, dia 24 de maio.
Depois de quatro anos de baixos rendimentos o preço do produto está se recuperando e o mercado dá sinais de aquecimento, assegura corretor de café, Marco Aurélio Bacceti. Atualmente a saca beneficiada de 60 quilos de café é vendida por
R$ 280. Em 2004, os preços do café tiveram preço médio de
R$ 225,10.
Bacceti explica que o valor da saca de café teve um pico em 1997, sendo negociada por R$ 320, em média. O preço atrativo fez com que os produtores decidissem investir na ampliação da produção o que causou um excesso de mercadoria disponível fazendo o valor da saca do grão despencar. O preço caiu e acabou selecionando os produtores. Só ficaram no mercado aqueles que realmente são produtores, os especuladores saíram do mercado, analisa.
Um fato considerado positivo provocado pela crise nos preços do café foi que os produtores passaram a investir na qualidade do produto com objetivo de agregar valor ao bem. Quase 80% do café produzido no Paraná é de boa qualidade, afirma Bacceti.
Neste ano, há expectativa de que ocorra um déficit na oferta mundial de café. A produção mundial deverá atingir os 107 milhões de sacas, o consumo previsto é de 115 milhões de sacas. O Brasil produzirá 32,4 milhões de sacas, segundo estimativa de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o que representa queda de 16,01% na comparação com o ano passado, quando a produção nacional foi de 38,8 milhões de sacas.
O produtor de café e agrônomo da Emater, Nélson Menori, presta assistência técnica para 850 produtores da região de Grandes Rios (110 km ao sul de Apucarana). Segundo ele, mesmo com os preços baixos nos últimos anos os agricultores não abandonaram a cultura. Ele avalia, porém, que mesmo com a recuperação no valor da saca de 60 kg neste ano os produtores ainda não conseguiram recuperar os prejuízos contabilizados no período em que os preços estavam mais baixos.
Na análise de Menori: o café sempre foi um bom negócio desde que o produtor saiba gerenciar a propriedade. De acordo com ele, a adoção de técnicas de manejo da lavoura com o corte de insumos desnecessários fez com que os custos da produção diminuíssem aumentando assim, a renda do produtor.


