Preço dos convencionais inibe conversão
Na região Norte do Paraná, são cerca de 200 produtores de orgânicos certificados que trabalham basicamente com olerícolas e hortaliças. Uma das áreas que possui agricultores com produção sólida e bagagem no cultivo, abrange propriedades de Uraí e Cornélio Procópio.
O coordenador da macrorregião Norte que trabalha com orgânicos pelo Institucional do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Instituto Emater), Nilson Ladeia de Carvalho, explica que o número de interessados é grande, mas poucos são os que de fato realizam a conversão dos tratos convencionais para orgânico. "Para comercializar é necessária a certificação e, com toda a burocracia para se tornar certificado, muitos acabam não levando a ideia adiante."
Outro fator que atualmente inibe o aumento no número de produtores orgânicos na região Norte do Estado são os bons preços de comercialização dos produtos convencionais. "O agricultor é movido pela economia, e com a alta dos produtos convencionais, ele está satisfeito e não vê necessidade de apostar nos orgânicos."
Ladeia comenta também que para realizar a conversão entre a certificação e mudanças na propriedade , o agricultor demanda, geralmente, de um ano. Ele salienta algumas ações práticas que devem ser realizadas, como dificultar a entrada de pragas e doenças com o uso de barreiras como, por exemplo, o investimento em estufas de qualidade. "Outro ponto é a comercialização, que deve ser programada para acontecer o ano inteiro. As feiras precisam ter produtos sempre, com variedade e qualidade para que o consumidor retorne", avalia.
O investimento inicial também assusta. Já que além das adequações na propriedade, é preciso, em muitos casos, bancar a certificação. Outro fator é que a mão de obra precisa ser especializada, sendo melhor se for a própria família lidando com o cultivo. "O produtor que ingressa neste tipo de trabalho não pode se apavorar, o trato é bem diferente, principalmente para lidar com pragas e doenças", explica o engenheiro agrônomo.
Por outro lado, além do valor agregado ao produto (geralmente 30% superior aos convencionais), trabalhar com orgânicos hoje, segundo Ladeia, é bem mais tranquilo devido à assistência técnica mais capacitada, pesquisas específicas voltadas ao tema e até mesmo à evolução dos produtores, que já aprenderam a lidar com esse tipo de cultura. "Hoje nós temos também empresas comerciais trabalhando com insumos para controle biológico. Também há sementes de hortaliças com resistência e outras tecnologias importantes", complementa. (V.L.)





