Curitiba - Os produtores de trigo que conseguirem colher grãos de boa qualidade terão preços excelentes para o produto este ano. Durante essa semana, a saca de 60 quilos estava sendo vendida, em média, por R$ 28,00. Esse preço é 75% mais alto do que a média de preços praticada em setembro de 2001, que foi de R$ 16,00. Se o preço atual for comparado com a média anual de 2001, o ganho é ainda maior: 115%, já que o trigo fechou o ano passado com preço médio de R$ 11,00 a saca.
A elevação de preços está sendo provocada por quatro fatores. A seca, as geadas, o câmbio e a redução dos estoques mundiais. A seca, que atingiu o Norte entre junho e julho, provocou uma quebra de 12% na safra, o que representou 292 mil toneladas. A geada tardia, que atingiu o Centro-Sul em agosto, trouxe mais 20% de frustração de safra, o equivalente a 482 mil toneladas. Somando as perdas por fatores climáticos, o prejuízo foi de R$ 362,4 milhões para os produtores paranaenses.
O terceiro fator, a variação cambial, está tornando ainda mais cara a importação de trigo pelos moinhos brasileiros. Em safras normais, quando não há frustração por fatores climáticos, o País já importa cerca de 70% de todo o trigo consumido. Esse ano a importação deverá atingir pelo menos 82% da necessidade nacional, para compensar a perda da produção paranaense. A esse índice ainda é preciso somar a perda da produção gaúcha, que também sofreu com a geada.
Uma estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) feita em maio, portanto antes das perdas paranaenses, apontava a necessidade de importação de 6,7 milhões de toneladas do cereal. Somando a esse valor as toneladas perdidas nas lavouras do Paraná, chega-se a um volume mínimo de importação de 7,5 milhões de toneladas, ou seja, 12% a mais do que a previsão inicial.
A Argentina, principal produtor de trigo que vende para o Brasil, vai colher sua safra em outubro e a partir de novembro poderá comercializá-la. Porém, o país vizinho terá esse ano uma das menores safras de sua história. A tonelada do trigo na Argentina essa semana estava cotada a US$ 135 (preço FOB), o que equivale a R$ 38,00 a saca no Brasil.
Hoje o trigo é o produto que mais pesa na pauta de importações brasileiras, depois do petróleo. O Brasil gasta todos os anos cerca de US$ 900 milhões para abastecer o mercado interno com trigo. Para reduzir essa dependência, os órgãos que representam as cooperativas, produtores e moinhos do Paraná vão apresentar ao Ministério da Agricultura o Plano Plurianual da Cadeia do Trigo, que estabelece metas para a elevação da produção nacional de trigo para até 60% da demanda, até 2007.
Para o ano-safra 2002-2003, os estoques mundiais estão sendo reduzidos em 7 milhões de toneladas em função da retração na produção dos cinco países que mais produzem no mundo. Em compensação o consumo mundial aumentou em 7,3 milhões de toneladas, o que corresponde a uma redução de 14,3 milhões de toneladas nos estoques mundiais.

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