Preço do trigo cai no Paraná
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sábado, 23 de novembro de 2002
Oswaldo Petrin<br> Editoria Local 
Semanas atrás, o mercado sinalizava com iminente risco de desabastecimento, apesar da ascensão dos preços, sustentada até a semana passada pelo câmbio. Mas, esta semana, o preço começou a despencar para o trigo nacional. Com tudo o que ocorreu no mercado este ano (crise argentina, redução da safra brasileira, depois estatísticas sobre estoque mundial desfavorável, câmbio alto, etc), o trigo está sem comprador.
O preço médio recebido pelo produtor paranaense em outubro foi de R$ 37,35/saca (US$ 9,29). Foi o maior preço em reais. Quarta-feira, o preço caiu para R$ 31,50 (8,98 dólares) na região de Cornélio Procópio, segundo a empresa Pitolli & Villela. Nas regiões de Cascavel e Maringá, caiu para R$ 34,50, segundo a Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina.
Às vezes não é difícil encontrar resposta para justificar a ausência de compradores para o trigo nacional. O importado chega relativamente mais barato, 155 dólares (R$ 640,00/t), aos moinhos, que têm 180 dias para pagar a juros internacionais. O prazo para pagar o trigo importado é de 180 dias. Uma mamata. O trigo nacional tem comprador a R$ 570,00/t mas a indústria quer pelo menos 30 dias.
''Desconheço uma empresa no Norte do Paraná que esteja fixando preços para o trigo. A R$ 36,00/saca não há comprador'', comenta José Pitolli, do segmento atacadista.
As indústrias alegam queda no consumo e que não conseguem repassar tantos reajustes de preços da matéria-prima e outros componentes de custo.
As indústrias estão apostando nas seguintes variáveis que pressionam os preços para baixo: queda no consumo, queda do dólar, que vai facilitar a importação da matéria-prima, e natural recessão do mercado, quando o movimento de compras recua intependente de conjuntura adversa como agora.
Quem não vendeu, perdeu, segundo Pitolli. De fato, em medados de outubro a tonelada do trigo foi comercializada por R$ 680,00 (180 dólares), considerando o dólar a R$ 3,85. Ontem, o preço de venda estava um pouco acima de R$ 570,00/t (161 dólares, considerando a seguinte relação: R$ 3,50/US$ 1,00).
Um diferencial por saca de 1,14 dólares mais a diferença de taxa de câmbio de 35 centavos. Um cálculo superficial aponta R$ 7,70/saca.
Se a queda ou apenas a estabilidade do dólar nos atual patamar conspira contra o preço do trigo nacional, a situação sugere novas quedas. Na quarta-feira, por exemplo, o dólar comercial voltou a fechar em baixa, após o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciar a elevação de um ponto percentual taxa referencial de juros do mercado (a Selic), agora em 22% ao ano. E o dólar, também na quarta, consolidou uma tendência de baixa ao ser cotado a R$ 3,5100/US$ 1,00 para compra e a R$ 3,5150/US$ 1,00 para venda, queda de 1,54%.


