As chuvas voltaram. No final da semana passada choveu no Oeste e Sudoeste do Paraná, pegando o milho ainda em colheita. Nesta semana foi no Norte e Noroeste do Estado, com instabilidades ocasionais no Sul. A continuidade das chuvas poderá afetar a qualidade do milho, informou na quarta-feira a Granoeste Corretora de Cereais e Sementes, de Cascavel. Até a última quarta-feira os órgãos do governo ainda não confirmavam esse problema. Não ao ponto de causar prejuízos, pelo menos. Em alguns municípios admite-se depreciação da qualidade.
Os preços, até quarta-feira vinham oscilando entre R$ 18,50 e R$ 19,00/saca, na praças de maior fluxo de comercialização. Mas na maioria dos municípios do Sudoeste, Norte e Noroeste, variavam a partir de R$ 17,50. Há as exceções como em Jacarezinho, No Norte Pioneiro, e em Paranavaí, no Noroeste, que até quarta-feira mantinham o preço máximo em R$ 21,00. No entanto, a interrupção da colheita - e da oferta de milho num mercado ávido - não é suficiente para manter os preços nesse patamar. As indústris sabem que mais cedo ou mais tarde o produto tem que chegar ao mercado.
Os preços no Porto de Paranaguá ficaram na faixa de R$ 20,50/saca. Na exportação, indicações entre US$ 104,00 e US$ 106,00/tonelada Fob, para embarque em abril/maio.
Ao contrário da soja, o mercado do milho não está diretamente ligado à Bolsa de Chicago, mas desde que o Brasil começou a exportar, três anos atrás, não dá para ignorar o comportamento do mercado internacional. E esta semana o relatóiro mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) decepcinou, ao pontar um prognóstico de demanda menor e, ao mesmo tempo, um estoque mais alto, fazendo com que as cotações da Bolsa fechassem em baixa em vários pregões consecutivos. Não bastasse isso, as exportações da China devem aumentar, segundo o relatorio do Usda, divulgado na última terça-feira.
Mas tem que ficar claro que tudo isso não afeta o preço interno. Não neste momento. Primeiro porque são ajustes percentualmente pequenos. Em segundo lugar porque quem regula o mercado interno neste período é o fluxo de oferta. Por esse motivo, interrupções como a desta semana, por causa do tempo, podem dar uma sobrevida aos bons preços, apesar do risco de perdas.
Com relação ao tamanho da safra nacional, fator que exerce forte influência sobre o mercado, saiu esta semana o mais recente levantamento de safra da Céleres/M.Prado, de Minas Gerais. Está indicando uma colheita de 38,3 milhões de toneladas.
Segundo analistas da Céleres/M.Prado, o advento das exportações brasileiras ''mudou a dinâmica de formação de preços, tanto que o aumento da produção não trará um impacto tão negativo'' (veja texto ao lado).
Outra boa notícia foi dada pela Safras & Mercado. O consumo de milho no Brasil, neste ano-safra 2002/2003, deverá aumentar em relação ao ano anterior. A estimativa está apontando uma demanda de 39,1 milhões de toneladas (38,2 milhões de t no ano anterior).

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