Preço do mercado não chega ao produtor
Vladimir Rosolen trabalha como produtor de leite desde 1993, juntamente com o pai e o irmão, numa propriedade de seis alqueires localizada na Estrada Caramuru, em Rolândia. Atualmente, a família conta com 20 vacas holandesas e tem uma produção de 250 litros de leite por dia. Eles atuam em parceria com um laticínio da cidade de Arapongas.
O produtor deixa claro sua insatisfação com o momento. Para ele, o produtor não ganha dinheiro como o varejo ou mesmo como o "atravessador", que leva a matéria-prima até a indústria. "O que nós vemos é que no mercado o preço sobe, mas para o produtor continua a mesma situação. Tivemos um reajuste em torno de R$ 0,10 para o litro de leite, mas os custos de alimentação dos animais dispararam", salienta.
No farelo composto para a suplementação dos animais, Vladimir calcula que o saco de 50 quilos subiu de R$ 60 para R$ 100 num período de dois meses. "Já o leite, neste mês é que começamos a receber R$ 1,20 pelo litro. Mesmo assim o custo de produção está bem alto".
Para melhorar a situação, a família Rosolen faz três alqueires de silagem no verão e mais três alqueires, no inverno. "Nossa pastagem não é grande, por isso apostamos mais na silagem. Este ano vai faltar comida, já era para a aveia ter nascido, mas como não choveu no momento certo, ela acabou não vingando".
Por fim, Vladimir comenta que esta é uma das situações mais complicadas dos últimos anos. "Muitas vezes já pensamos em parar. Essa atividade é de muito sacrifício, são duas ordenhas por dia, temos apenas um descanso no meio do dia e o trabalho é muito grande. O ideal para nós, é que o litro de leite subisse um pouco mais ou a ração estivesse em patamares menores. Enquanto isso, vamos tocando a produção".
Veterinário do Instituto Emater de Rolândia, Kato Shiguety, que trabalha com 15 produtores de pequeno porte na região, comenta que aqueles que estão utilizando muita ração no dia a dia, de fato, está sofrendo mais. "Ter uma silagem bem feita foi fundamental neste ano. De todos os custos de produção, sem dúvida a alimentação é que mais está pegando neste momento. Sem falar da energia elétrica, que também está alta", salienta.
Shiguety explica ainda que existem outros fatores que colocam o produtor em outro patamar, como higiene e instalações mais adequadas. "Nós temos aqui na região sete produtores que estão com um laticínio, o Leite Caviúna, com produção entre 600 e 700 litros dia. Agora, eles estão em fase de capacitação para melhorar ainda mais a qualidade do leite". (V.L.)





