Preço do arroz sobe e consumo cai 30%
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de agosto de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O preço do arroz já subiu cerca de 70% este ano e mesmo assim os cerealistas que trabalham com o produto estão enfrentando dificuldades na compra. Os produtores estão capitalizados e com isso conseguem segurar a produção. Os estoques estão sendo vendidos a conta-gotas. Por outro lado, os cerealistas também estão enfrentando dificuldades para colocar o produto no varejo em função da queda de consumo. Desde que o preço do arroz aumentou para cerca de R$ 10,00 o pacote com cinco quilos, o consumo caiu 30%.
O cerealista Paulo Maranhão, diretor da cerealista Ultrarroz, não vê perspectivas de melhora para este ano. Segundo ele, as medidas adotadas até agora para reverter a alta do produto não estão dando resultados satisfatórios. A Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) está leiloando arroz e algumas empresas estão importando o produto dos Estados Unidos e dos países asiáticos. Mas os volumes são pequenos diante do tamanho do mercado nacional, disse o empresário.
Segundo Maranhão, a atuação dos cerealistas no mercado está cada vez mais difícil. De um lado o produtor não abre mão de vender a produção escalonada e e de outro o varejo está concentrado na mão de poucas redes supermercadistas, o que dificulta a venda. Só em Curitiba são cerca de 300 marcas diferentes de arroz, querendo vender produto para os supermercados que a cada dia reduzem espaço para os produtos da cesta básica. Os consumidores estão migrando o consumo de alimentação básica principalmente para as massas, destacou.
Maranhão está pessimista com relação ao abastecimento do mercado nesse segundo semestre. Para ele, o período é de entressafra e não há perspectivas de importação de grandes volumes. ''Mesmo que o governo consiga derrubar as tarifas de importação do arroz no Mercosul'', afirmou. As empresas temem importar grandes volumes, diante do risco de valorização do câmbio. A transação é demorada e tem que ser paga antecipadamente, situação que atemoriza o empresário.
Até agora chegaram cerca de dez navios com 10 mil a 15 mil toneladas cada um, sendo que esse volume é muito baixo para mexer com o mercado. ''O efeito é mais psicológico'', argumentou.
O governo brasileiro defendeu esta semana, no encontro de representantes do Mercosul, a redução da tarifa de importação de arroz em casca de terceiros países de 11,5% para 4%. Terceiros países são aqueles localizados fora da área do Mercosul. Com a queda da taxa, a Conab prevê a importação de cerca de 1,5 milhão de toneladas de arroz este ano, para que o quadro de abastecimento possa ser atendido, informou o analista de mercado da empresa, Paulo Morceli.
A Conab está promovendo leilões para venda de estoques remanescentes de arroz, mas o volume é pequeno. São 46 mil toneladas que estão sendo colocadas no mercado da região centro-oeste do País, onde estão localizados os estoques. Esse volume está sendo leiloado em duas vezes. O governo não tem mais estoques além disso, afirmou Morceli. A Conab está aproveitando a fase de bons preços para esvaziar os armazéns que ainda têm arroz e prepará-los para receber o milho.


