Preço da terra está em alta
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de julho de 2002
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O desempenho positivo do setor agropecuário deverá refletir no preço da terra nas regiões Oeste, Norte, Sul e Sudoeste do Paraná. De acordo com o assessor técnico da Organização das Cooperativas Agrícolas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, os produtores que plantam soja e trigo serão os mais beneficiados. ''O preço dos grãos está muito bom no mercado. Toda vez que o desempenho da agricultura é favorável, o preço da terra tende a se valorizar'', analisou.
Nem mesmo o período de estiagem e inverno rigoroso, com geadas, poderá, segundo Turra, impedir a tendência de valorização dos imóveis rurais. ''A geada pode afetar apenas o trigo, que já está em época de entressafra. Portanto, não existe risco'', disse. Apenas as propriedades do Noroeste (mais forte em café e mandioca) não sofrerão um aumento acentuado de preço. ''Mesmo o Noroeste terá reflexo positivo no preço da terra. No entanto, o reflexo será menor'', disse ele. Nas regiões de arenito, onde já foi iniciado o plantio da soja, o preço da terra poderá apresentar variação maior.
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, salientou que desde o início do Plano Real o preço da terra só sofria desvalorização. Agora, os preços estariam apenas se recuperando. ''A terra enquanto investimento, reserva de valor, teve queda acentuada desde o início do Plano Real'', analisou o economista.
O otimismo na agricultura tem explicação. A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) divulgou recentemente que o crescimento no setor acumulado no primeiro semestre de 2002 foi de 0,90%. Somente a agricultura teve crescimento de 3,18% entre janeiro e março deste ano. A estimativa é a de que o setor acumule um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 341,7 bilhões neste ano.


