Preço da saca de café sofre redução de 35% no Paraná
Safra volumosa em nível nacional joga para baixo média recebida pelos cafeicultores paranaenses
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de julho de 2026
Safra volumosa em nível nacional joga para baixo média recebida pelos cafeicultores paranaenses
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

Pesquisa realizada pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), aponta queda de 35% no preço médio da saca de café no Paraná em um ano.
Segundo o levantamento, a média recebida pelo cafeicultor foi de R$ 1.341,59 pela saca de 60 kg (café beneficiado) na última semana de junho deste ano, valor 35% inferior à média praticada em junho de 2025.
“Além da expectativa de uma safra volumosa em nível nacional, nossa própria oferta local também pesa, pois estamos no período de auge da colheita”, justifica Hugo Godinho, agrônomo do Deral.
A safra em nível nacional é liderada por Minas Gerais, sendo que a contribuição paranaense será de 710 mil entre as mais de 66 milhões de sacas a serem colhidas em todo o Brasil neste ano.
Até o momento, cerca de 50% do café já foi colhido no Paraná. A colheita teve início em maio e deve se estender pelo menos até meados de setembro.
Entre as práticas que o cafeicultor poder adotar para tentar driblar essa desvalorização, o técnico cita o parcelamento de vendas, o que ajudaria quando se fala de estratégia de comercialização, especialmente de commodities.
“Além disso, o segmento de cafés especiais remunera melhor, inclusive a participação no concurso Café Qualidade do Paraná é incentivada pela Seab.”
Godinho cita ainda que a busca pela IG (Indicação Geográfica) tem despontado no estado como forma de promover a cefeicultura paranaense, criando um mercado específico para alguns cafés.
“Por fim, ainda que não seja exatamente algo para driblar a desvalorização, existe muito interesse do público consumidor no turismo rural relacionado ao café, que pode ser mais um gerador de renda na propriedade”, acrescenta.
Além da desvalorização, o técnico cita outros desafios dos cafeicultores. “A sucessão familiar e a dificuldade de se obter mão de obra para colheita são dois fatores sempre lembrados quando se trata da redução da atividade cafeeira no Paraná.”
O técnico acrescenta que, apesar do bom momento do café no ano passado, este ano volta a trazer uma preocupação em relação à rentabilidade da cultura, que teve anos muito difíceis em um passado recente. “Isso faz com que a área de café no Paraná esteja se concentrando em poucas regiões.”
Queda
Com propriedade em Carlópolis, Norte Pioneiro, o cafeicultor Marcelo Teixeira aponta uma queda de aproximadamente 40% no preço da saca de café neste ano em comparação ao ano passado. Hoje são 130 hectares com o cultivo do grão, a maioria arrendada.
“Se compararmos em relação ao milho e à soja, a rentabilidade do café é muito melhor. Mas os investimentos são complexos porque tem muito maquinário envolvido”, aponta. Hoje o café advindo da propriedade é vendido para uma cooperativa local (Capal) e para uma exportadora localizada em Ourinhos, interior de São Paulo.
Entre os maiores desafios, o cafeicultor cita o clima. “O produtor não está acostumado com chuva na colheita, que acontece no inverno, uma estação que costuma ser seca”, conclui.
Consumidor
Os preços do café recebidos pelo produtor seguem pressionados pelo avanço da colheita, movimento que já se reflete no preço pago pelo consumidor.
Como junho e julho marcam o pico da atividade no campo, a entrada dessa safra histórica continua exercendo forte pressão sobre o mercado.
No varejo paranaense, o pacote de 500 g de café torrado e moído custou, em média, R$ 25,55 em junho — uma queda de 6% em relação a maio (R$ 27,13) e de 18% em comparação a junho de 2025 (R$ 31,14).
“Esse recuo reflete a comercialização dos grãos colhidos desde abril a preços mais baixos. Como o café colhido hoje leva cerca de um mês para chegar às prateleiras, a tendência de retração nos preços dos supermercados deve perdurar no curto prazo”, conclui o técnico do Deral.


